sábado, 22 de abril de 2017

Cultura da Fruta Pão (Artocarpus altílis)




Aspectos gerais:
Originária da Indomalásia (Java ou Sumatra) ou da Malásia; o fruto é base alimentar para povos ilhéus da Polinésia (Oceano Pacifico). Além de fruteira é tida como ornamental.
Seu nome cientifico é Artocarpus altílis (Parks) Fosberg, Moraceae, Dicotyledonae; duas variedades destacam-se: Apyrena - cujo fruto não tem sementes, é chamada fruta-pão de massa e Seminifera - cujo fruto possui sementes, é chamada fruta-pão de caroço.

  • A fruta-pão é árvore que vive 80 anos; alcança 25-30m. de altura tem copa relativamente frondosa com folhas grandes e recortadas de cor verde escura, flores amareladas e frutos globosos com 20-25 cm. de diâmetro e 1-3 Kg de peso.
  • Desenvolve-se bem em clima tropical úmido - preferencialmente em regiões baixas e chuvosas. No Brasil pode ser cultivado desde São Paulo ao Pará sendo muito encontrado em pomares de quintais do litoral dos estados da Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.


Usos:
A polpa do fruta-pão de massa é rica em calorias, carboidratos, água, vit. B1, B2, C, cálcio, fósforo, ferro e tem baixo teor de gorduras. Industrialmente a polpa foi aproveitada como fruta seca e farinha panificável além de fonte para extração do amido e de farinha granulada semelhante ao "sagu". Em uso caseiro a polpa - quase madura - pode ser cozida, assada, transformada em purê ou cortada em fatias consumidas fritas (como a batatinha) com manteiga, mel ou melaço. Cortada em fatias (de 50-10 mm de espessura) secas ao sol ou em fornos a polpa é usada para o preparo de raspas ou crueiras ou aparas e de farinhas que, misturadas à farinha de trigo, podem compor o pão caseiro. Madura a polpa é aproveitada na fabricação de doces.
Sementes - As sementes do fruta-pão de caroço podem ser consumidas assadas, torradas, ou fervidas em água e sal; outrossim possibilitam a extração de farinha alimentícia bastante nutritiva. Em alguns estados brasileiros usa-se as sementes - em substituição ao feijão - para preparar guisados e ensopados. As sementes são consumidas, facilmente, pelo gado em geral.
Árvore - O gado consome facilmente as folhas e muitas vezes casca do tronco de plantas jovens. Ramos novos macerados liberam fibras empregadas na fabricação de cordas e esteiras.
A madeira, de cerne amarelado que passa a castanho após cortada, é resistente a insetos, é fácil de trabalhar, é utilizada na fabricação de forros, portas, instrumentos musicais e marcenaria; também produz carvão utilizável no preparo da pólvora.
O látex - do fruto e do tronco - por sua viscosidade, é utilizado para capturar pássaros, para fabricação de colas e em associação com fibras, usado para calefetar barcos.
Uso medicinal - A farmacopéia popular tem utilizado:
Raiz: como antidiarréica; seu cozimento torna-a útil contra reumatismo, beribéri e entorpecimento de pernas dos humanos
Flores novas (frescas) são emolientes e base de conserva acídula e comestível.
Polpa do fruto reduzida a pasta quente é supurativo para tumores e furúnculos.
Sementes são tônico para estômago e rins. Látex usado como cicatrizante de feridas.


Necessidades da planta:
A fruta-pão gosta de sol, requer clima tropical úmido, temperatura média anual em 25ºC, chuvas anuais ao redor de 1.500 mm - bem distribuídos - umidade relativa do ar entre 75% e 80%. A planta é sensível a longos períodos de seca, portanto, em locais sujeitos à seca deve-se plantar o fruta-pão próximo a aguadas ou rios. Solos devem ser férteis, com bom teor de matéria orgânica, profundos, bem drenados, não sujeitos a encharcamentos.


Variedade com sementes: logo após retiradas dos frutos as sementes devem ser lançadas em canteiros de 1 m de largura e 20 cm de altura cujo leito contenha mistura bem peneirada de terra vegetal e cinza de madeira - proporção 2:1 são necessários 4 Kg de sementes - 560 unidades - para semeio de 1 m2 de sementeira em filas contínuas de 4 cm de profundidade e 5 cm de espaçamento entre elas. Quando as plantinhas alcançarem 5-10 cm de altura são colocadas em sacolas - 18 x 30 - de polietileno cheias com mistura de terra vegetal, esterco de curral curtido, areia e cinza - proporção 4:2:1:1 - e mantidas sob meia sombra.
Variedades sem sementes: reproduzida por brotações ou rebentos das raízes ou por pedaços (estacas) de raízes. Estes materiais só devem ser retirados da planta em dias de chuvosos.
Brotações: retiradas das raízes devem ser "encanteiradas" - sob sombra - no solo em embalagens - sacos de polietileno 20 x 30 - previamente cheias com mistura recomendada para sementeira.
Estacas: estaquia de raízes (método de Wester, Filipinas).
Em local a meia sombra preparar canteiro com mistura de areia grossa e terriço - 1:1 -; retirar a estaca - com 20 cm de comprimento e 1,2 a 6 cm de diâmetro - de planta vigorosa e sadia. Abrir sulcos nos canteiros, colocar estaca - com parte mais grossa para cima - inclinada deixando 4-6 cm para fora da terra; já bem enraizada a estaca é transferida para sacola de polietileno - 20 x 30 - cheia com mistura para sementeira. Após bom desenvolvimento de raízes e folhas a muda estará pronta e apta ao plantio em local definitivo.


Plantio:
Espaçamento 8 x 8 m a 10 x 10 m, cova com dimensões de 50 x 50 x 50 cm. Com antecipação de 25 dias ao plantio encher a cova com terra de superfície misturada a 15 litros de esterco mais 300 g de superfosfato simples e 500 g de calcário dolomitico (este no fundo da cova); retirar invólucro da embalagem da muda colocá-la na cova (nivelando superfície do torrão da muda com o solo), comprimir bem a terra em volta e irrigar com 20 litros de água. Colocar cobertura morta em torno da muda por dois anos.


Tratos culturais e fitossanitários:
Nos dois primeiros anos efetuar capinas em "coroamento" e roçar a área restante sem retirar as raízes da erva; na época seca do ano podar ramos secos e doentes. No período chuvoso adubar, em cobertura, dose anual dividida em três parcelas - planta/vez após a capina e no "coroamento" - do 1º, 2º 3º e 4º ano com fórmula 12:12:12 com 100 g, 150 g, 200 g e 300 g, respectivamente, adicionados de 15 litros de esterco/ano e 100 g de calcário/ano. A partir do 5º ano utilizar mistura 15:15:15 aplicando 300-600 g por planta/ano adicionadas de 200 g de calcário/ano e 15 l. de esterco/ano.
As pragas são representadas por cochonilhas, brocas e pulgões (sem danos econômicos); a doença que preocupa é a podridão das raízes que acontece em solos encharcados e pode matar a planta.

Colheita:
Início entre 3º e 5º ano de vida; para a fruta-pão de massa; o momento de colheita é indicado quando a casca torna-se amarelada e começa a exsudar seiva leitosa e o fruto produz som "fofo" quando nele se bate. Fruto com semente simplesmente cai ao chão. Os frutos conservam-se bem sob clima ambiente e podem ser transportados a longas distâncias.




domingo, 9 de abril de 2017

Cultivo do Cajá ou Taperebá (Spondias lutea L. e Spondias mombin L)


O cajá é o fruto da cajazeira (nome científico Spondias mombin L.), árvore da família das Anacardiáceas que está presente em vários estados brasileiros, especialmente nos das regiões Norte e Nordeste, como nos estados de Sergipe, Paraíba Pernambuco, Alagoas, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Dependendo da região, a planta recebe nomes diferentes. Na Amazônia, por exemplo, é chamada de taperebá. Já no Sul leva o nome de cajazeira ou cajá mirim. Se adapta bem aos climas úmido, sub-úmido e quente.
Nome da fruta: Cajá ou Taperebá
Nome científico: Spondias lutea L. e Spondias mombin L
Família botânica: Anacardiaceae
Características da planta: Árvore geralmente com 20 metros de altura. Folhas grandes, compostas, aromáticas quando maceradas. Flores de coloração esbranquiçada, reunidas em inflorescências terminais.
Fruto: Tipo drupa, oval,  casca fina e lisa, amarela quando madura. Polpa comestível de coloração alaranjada, mole e sabor agridoce.
Frutificação: Quase o ano todo
Propagação: Semente
Discute-se, com frequência, a origem exata desta planta. Na região Norte do Brasil, onde a chamam de taperebá, acredita-se que seja originária da floresta amazônica. Já os nordestinos, que a conhecem por cajá, não a reivindicam como nativa de suas terras, mas creem que seja proveniente de alguma ilha do Oceano Pacífico. Na verdade, o cajá tem suas raízes na África, provavelmente tendo aqui chegado nos navios que também traziam as populações africanas escravizadas.
A partir de um ponto ou de outro, o certo é que a árvore se disseminou com facilidade pelo continente, estando hoje bem adaptada por quase todo o território brasileiro, norte da América do Sul, América Central, até o Sul da Flórida, e em regiões quentes de outros continentes, como a África e a Ásia.
Também conhecido como cajá-mirim no sul do Brasil, parente do umbu e da seriguela, todos pertencentes à família das Anacardiáceas, o cajá é o fruto de uma árvore alta, que chega a ultrapassar os 20 metros de altura. Trata-se de uma árvore considerada de grande relevância na recuperação de áreas de vegetação degradada, por sua rusticidade, facilidade de disseminação e capacidade de atração da fauna.
A casca grossa de seu tronco, acinzentada e rugosa, permite-lhe aplicações em modelagem e xilogravuras.
Segundo Paloma Jorge Amado, outro nome da cajazeira é “ibametara”, nome indígena que significa “pau de fazer enfeite de beiço”. Isso porque ela era utlizada por certas tribos para fazer bodoques, aquelas rodelas usadas como adorno para o lábio inferior.
O fruto, de um amrelo que brilha a dourado – a verdadeira cor de oxum na definição de Zélia Gattai -, tem formato ovóide e varia bastante no tamanho. No sabor, talvez seja possível dizer que se aproxima ao da laranja, embora seja mais ácido.
São poucos, no Brasil, aqueles que nunca provaram o cajá em alguma de suas formas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
Sua polpa ácida, saborosa e refrescante, costuma ser vendida já processada, ao natural ou congelada, sendo uma das mais procuradas para sucos em todo o país. O picolé de sabor cajá também é bastante prezado, sendo, inclusive, produzido e comercializado por grandes indústrias alimentícias.
Além de utilizada na aromatização da aguardente de cana, da fruta espremida e misturada com açúcar e cachaça e vodca, se obtém a caipirinha de cajá, bebida que tem alcançado cada dia mais apreciadores. Licores, geleias e compotas desfilam com igual valor em seu rol de derivados.
Diante dessa alta aprovação, surpreende que não haja no Brasil um produção comercial mais significativa de cajazeiras. Surpreende ainda mais se considerarmos que seu cultivo já é comum, desde tempos coloniais, e que a fruta é recebida com grande entusiasmo por consumidores estrangeiros, sobretudo europeus.

Introdução

O fruto da cajazeira é conhecido no Brasil com os seguintes nomes: cajá, cajá-mirim, taperebá e cajá verdadeiro.

Nas diversas regiões produtoras, os frutos são comercializados em feiras livres e beiras de estradas, juntamente com outras frutas regionais. Entretanto a maior parte da produção é vendida para as agroindústrias regionais. 

O chá de suas folhas vem sendo utilizado há bastante tempo, por suas propriedades anti-viróticas, notadamente contra o vírus da herpes simples e da herpes dolorosa, sem registros de efeitos colaterais. 

Estudos relatam que a planta é rica em polifenóis que apresentam atividades farmacológicas, destacando-se as atividades antiviróticas.
Sinonímia

- Spondias aurantiaca Schumach. & Thonn.;
- Spondias dubia A. Rich.;
- Spondias graveolens Macfad.;
- Spondias lutea L.;
- Spondias lutea var. glabra Engl.;
- Spondias lutea var. maxima Engl.;
- Spondias mombin var. mombin;
- Spondias oghigee G. Don;
- Spondias pseudomyrobalanus Tussac;
- Spondias purpurea var. venulosa Engl.;

Etimologia

"Cajá" vem do termo tupi aka?yá. 

"Cajá-mirim" vem do termo tupi para "cajá pequeno". 

"Taperebá" vem do tupi taperei?iwa. 

Lutea é o termo latino para "amarelo", numa referência à cor dos frutos de cajá.

ACAIBA vem do guarani que significa "Fruta com semente volumosa".

Porte

Até 30 m de altura.

Copa

Copa de forma capitata corimbiforme dominante.

Caule

A planta apresenta tronco ereto, casca acizentada ou brancacenta, rugosa, fendida e muito grossa, de até 2 m de circunferência.

Folhas

As folhas são compostas, alternas, imparipinadas, com 5 a 11 pares de folíolos, espiraladas 1/4, pecíoladas, peciólulo curto de 5 cm de comprimento; folíolos opostos ou alternos; lâmina oblonga cartácea, de 5 a 11 cm de comprimento por 2 a 5 cm de largura, margem inteira; ápice agudo, base arredondada, desigual, glabra nas duas faces; nervura mediana, promínula na face superior, glabra, no dorso proeminente, com muitos pêlos; nervação do tipo camptódromo-cladódromo, com 16a 18 pares de nervuras secundárias, promínulas na face ventral, proeminentes na face dorsal; raque de 20 a 30 cm de comprimento, tereto, pilosos, sem glândulas.

Flores

As flores são dispostas em inflorescências do tipo panículas terminais piramidais de 20 a 60 cm de comprimento, são unissexuais e hermafroditas na mesma planta, actinomorfas, apopétalas, diclamídeas, cálice de 0,5 cm de diâmetro; receptáculo arredondado, superfície pilosa, pedicelo cilíndrico, com 1 a 4 mm de comprimento; bractéola caduca; 5 sépalas, concrescentes com os lóbulos diminutos, verdes; 5 pétalas, livres valvares induplicatas amarelo-claros, 0,3 cm de comprimento; estames em número de 10 com dois vertícilos, os 5 primeiros inseridos num disco, alternos às pétalas, os outros 5 são epipétalos; anteras subglobosas, basifixas, rimosas; ovário súpero 4-carpelar, uniovulado, sobre um disco; óvulo anátropo de placentação axial; estigma fimbriado. 

O número de flores por panícula é variável, podendo atingir mais de 2.000, porém somente cerca de 10 frutos em cada panícula alcançam a maturação.

Frutos

O fruto é caracterizado como drupa de 3 a 6 cm de comprimento, ovóide ou oblongo, achatado na base, cor variando do amarelo ao alaranjado, casca fina e lisa, polpa pouco espessa também variando do amarelo ao alaranjado, suculenta, de sabor ácido-adocicado.

Sementes

O endocarpo, comumente chamado de caroço, é grande, branco, súbero-lignificado e enrugado, contendo 2 a 5 lóculos, e a ocorrência de 0 a 5 sementes por endocarpo, sendo mais freqüente a ocorrência de uma semente. 

A semente é claviforme a reniforme, medindo 1,22 cm de comprimento e 0,22 cm de largura, com os dois tegumentos de consistência membranácea, coloração creme e com superfícies interna do tégmen. 

O embrião é axial, de formato semelhante à semente e de coloração creme-claro, possuindo cotilédones planos, carnosos.

Raízes

O sistema radicular do Cajá mirim é bem superficial.

Clima

Tropical

Forma de plantio

As mudas devem ser plantadas em covas com dimensão de 40x40x40 cm, previamente deve-se fazer adubação com esterco curtido. 

Sugere-se um espaçamento em sistema quadrangular de 9 m x 9 m ou retangular de 9 m x 8 m. 

Deve-se utilizar podas de formação, de condução e de limpeza.

Espaçamento

10 m x 10 m entre plantas, 12 x 12 entre linhas

Cultivo

A cajazeira é uma planta de polinização cruzada e não existem clones recomendados para cultivo comercial. Desse modo, recomenda-se seguir algumas orientações utilizadas no cultivo de outras fruteiras perenes. 

Recomenda-se o plantio de mudas clonadas de plantas de qualidade superior, ou seja, sadias, produtivas e de frutos com boas qualidades organolépticas.

Pragas / Doenças

PRAGAS 

Mosca-das-frutas (Anastrepha sp.) constituem um dos importantes grupos de pragas que danificam as fruteiras. É uma praga que causa dano direto ao produto final, sendo classificada como praga-chave nas fruteiras, e como tal atinge o nível de dano econômico em desindades populacionais baixas, merecendo cuidados especiais durante o período de frutificação da planta.

Outras pragas - Vários autores mencionam alguns insetos, como tripes, cochonilhas, lagartas, brocas e moscas, que atacam folhas, ramos e frutos de cajazeira. Em ensaios de avaliação de clones de Spondias, constatou-se o ataque de saúvas do gênero Atta, mané-magro ou bicho-pau (Stiphra robusta Leitão) e pulgão, todas com nível de dano econômico, sendo necessário o uso de controle químico. 

Nos endocarpos armazenados constatou-se o ataque de um gorgulho destruindo as sementes. 

No sul da Bahia, foram observadas larvas abrindo galerias e causando danos em ramos de plantas jovens, e em Caucaia, CE, as larvas danificaram os ramos terminais de plantas adultas em início de brotação. 

DOENÇAS

Antracnose (Glomerella cingulata (Ston.) Spauld & Schrenk é facilmente encontrada causando lesões em folhas, inflorescência e frutos. 

Verrugose (Sphaceloma spondiadis Bitancourt e Jenkins) é uma das mais importantes doenças das Spondias. Detectada inicialmente sobre frutos e folhas de cajarana, em 1937, no Rio de Janeiro, o fungo foi descrito somente 1942. 

Resinose (Botryosphaeria rhodina (Cooke) Ark) embora de progressão lenta, a enfermidade inevitavelmente leva a planta a morte, caso não seja controlada. Todas as espécies do gênero Spondias têm se apresentado suscetíveis à resinose. 

Cercosporiose (Mycosphaerella mombin Petr. et Cif) talvez a mais comum doença foliar das Spondias, a cercosporiose em algumas oportunidades chega a causar severa queda de folíolos. 

Mancha de alga (Cephaleuros virescens Kunze) de ocorrência generalizada sobre outras frutíferas tropicais a mancha de alga é também comum sobre as espécies do gênero Spondias, sempre afetando folhas mais velhas e sem causar aparente prejuízos. 

Fitonematóides - as Spondias são extremamente susceptíveis aos nematóides das galhas, e levantamentos conduzidos nos Estados do Ceará, Bahia, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte têm revelado uma ampla dispersão de espécies de nematóides das galhas em Spondias, tanto em plantas adultas quanto em mudas. 

No caso de viveiros, algumas infestações têm se mostrado tão severas que a formação de galhas têm ocorrido até mesmo nos caules das mudas, estendendo-se acima da linha do solo.

Colheita

A época de safra varia nos diversos Estados brasileiros, sendo de maio a julho na Paraíba, março a maio no sul da Bahia, em Belém ocorre pequena colheita em maio e a produção concentra-se no período de agosto a dezembro, em Manaus de dezembro a fevereiro e no Ceará de janeiro a maio. 

A época de produção pode variar de acordo com as alterações pluvimétricas.

Após o processamento, a polpa e comercializada congelada, em embalagens de 0,1 a 10kg ou tambores de 200 litros. 

Produtividade

Os frutos da cajazeira apresentam boas características para a industrialização, em termos de rendimento e sabor. 

O percentual médio de rendimento da polpa é 40% e poderá ser compensado pelas pronunciadas características de odor e sabor apresentando amplas possibilidades industriais na fabricação de sucos, néctares e sorvetes, sendo que a avaliação química dos frutos "in natura" mostrou que o teor de acidez e o pH favorecem a sua conservação. 

Os frutos, quando destinados para a industrialização passam por processos de seleção, lavagem, despolpamento, refino, envasamento ou ensacamento, pasteurização (opcional) e congelamento.

Partes utilizadas

Frutos, folhas

Formas de Reprodução

[1] Estaquia

[2] Sementes

Reprodução

As sementes são grandes e ortodoxas (com casca fibrosa e que entra em dormência), por isso as sementes podem ser colhidas na safra, limpas e semeadas 3 a 4 meses depois no fim da primavera. 

O plantio é feito colocando as sementes lado a lado em jardineiras com 50 cm de comprimento e 20 cm de altura e largura, contendo substrato organo-arenoso, desse modo a germinação inicia com 35 a 70 dias. 

As plântulas podem ser transplantadas para sacos individuais quando estiverem com 12 cm de altura. As mudas atingem 30 a 40 cm em 6 meses após a germinação. 

A propagação vegetativa se dá com facilidade, basta selecionar estacas de ramos ou raízes com 1,5 cm de diâmetro e 20 cm de comprimento e enterrar 10 cm da base em substrato arenoso e deixá-las em estufa com micro-aspersão, pois, com 30 dias já apresentarão brotações. 

O desenvolvimento das mudas é rápido, iniciando a frutificação com 3 ano para as mudas propagadas por estacas e 8 a 10 anos para mudas propagadas por sementes.

Propagação sexual

Na propagação sexual da cajazeira, o endocarpo comumente chamado caroço é a parte mais característica do fruto das espécies do gênero Spondias. 

O endocarpo é lenhoso, rodeado por fibras esponjosas e duro, dificultando o corte para retirada de sementes. No seu interior encontram-se os lóculos que podem, ou não, conter sementes. Desse modo, o endocarpo é utilizado na propagação sexual do cajá e de outras Spondias como a cajarana o umbu, etc. 

O endocarpo do cajá possui de zero a cinco sementes, e estas apresentam dormência. Os resultados dos ensaios de germinação com sementes da cajazeira mostraram baixas percentagens e velocidade de germinação. 

Devido a problema de dormência, recomenda-se a semeadura dos endocarpos em canteiros ou em bandejas plásticas, usando-se como substrato areia quartzosa esterilizada. 

A semeadura deve ser efetuada a uma profundidade de 3cm, colocando-se o endocarpo na posição vertical, com a parte proximal (parte mais fina, que liga o fruto ao pendúnculo) voltado para baixo. 

Os canteiros ou as bandejas devem ficar em ambiente coberto com sombrite que retenha de 50% a 70% da radiação solar. 

Em um mesmo lote podem existir sementes que começam a germinar aos 30 dias e aos 406 dias, depois de semeadas. 

A germinação é epígea e a emergência dos cotilédones precede à radícula, que em sua fase inicial é bastante delgada. Posteriormente o sistema radicular se torna robusto, formando estruturas tuberosas na raiz principal. Pode ocorrer a germinação de 1 a 3 sementes por endocarpo.

De cada endocarpo, pode germinar mais de uma semente ao mesmo tempo, porém apenas uma raiz principal se desenvolve.

Propagação assexual - A propagação vegetativa ou assexual é a multiplicação das plantas por meio de partes vegetais, seja por explantes. Alporquia, enxertia ou por estacas de caule ou de raízes. 

Tradicionalmente, o cajá é propagado por estacas de caule com cerca de 1,5 m de comprimento e diâmetro superior a 10 cm; estas, além de apresentarem lento e baixo enraizamento, demoram para formar a copa da nova planta. 

Contudo, o cajá pode também ser multiplicado por estacas de raiz, fato comprovado pela pesquisa em ensaios e observações em campo, onde se encontram plantas que surgem a partir de raízes de cajazeiras adultas.

Princípios Ativos

Em 1991, Pesquisadores da Universidade de Antuérpia na Bélgica, isolaram das folhas e talos desta espécie, substâncias que demonstraram atividade pronunciada contra os vírus Herpes simplex tipo 1 e Coxsackie B2.

Mais recentemente, os mesmos pesquisadores Belgas isolaram também das folhas e talos da mesma planta ésteres cafêicos, entre os quais se destacam o éster cafêico do ácido alohidróxicítrico e o éster butirico do ácido clorogênico. O primeiro mostrou atividade antivirótica contra Coxsackie B2 e a segunda atividade contra o vírus da Herpes simples 1.

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e do PADETEC, estão desenvolvendo um fitoterápico à base de um extrato alcoólico obtido das folhas da cajazeira (Spondias mombin) que vem sendo usada devido às suas propriedades anti-viróticas, apresentando resultados muito significativos no combate ao vírus da herpes tipo I e II.

Utilização

- Na indústria - os frutos possuem excelente sabor e aroma, além de rendimento acima de 60% em polpa, e por isso são amplamente utilizados na confecção de suco, néctar, sorvetes, geléias, vinhos, licores, etc.

Devido a sua acidez, normalmente, não é consumido ao natural. 

Apesar da polpa de cajá possuir grande demanda, em algumas regiões do país, a sua industrialização é totalmente dependente das variações das safras, considerando a forma de exploração extrativista do cajá e a grande perda de frutos devido a problemas de colheita e de transporte. 

Desse modo, a atual produção industrializada não é suficiente para atender nem o mercado interno consumidor do Norte e Nordeste.

- Na medicina popular e na indústria farmacêutica - é crescente a utilização do cajá. 

A casca é aromática, adstringente e emética, constituindo-se um bom vomitório nos casos de febres biliosas e palustres, tem reputação de antidiarréica, antidesintérica, antiblenorrágica e anti-hemorroidária, sendo a última propriedade também atribuída a raiz.

As folhas são úteis contra febres biliosas, constipação do ventre, dores do estômago etc. Nos últimos anos, descobriu-se que o extrato das folhas e dos ramos da cajazeira continham taninos elágicos com propriedades medicinais para o controle de bactérias gram negativas e positivas.

Na alimentação animal - As folhas são alimentos prediletos do bicho na época da seca.

Origem

Linnaeus estabeleceu em 1753 que o gênero era monotípico, baseado em Spondias mombin L., nativa da América Tropical. Conde De Ficalho (1947) relata que a cajazeira encontra-se extremamente espalhada pelos trópicos da América, da Ásia e também da África, recebendo o nome de ambaló em Goa e munguengue em Angola, e cita que na Flora of Tropical Africa esta espécie é dada como introduzida na África e indígena das Índias Ocidentais. 

Segundo Ponce & Silva (1975), a cajazeira é procedente da América do Sul e Antilhas, nativa da Amazônia, e encontrada desde o Sul do México até o Peru e Brasil.

Habitat

No Brasil, as cajazeiras são encontradas isoladas ou agrupadas, notadamente na Amazônia e na Mata Atlântica, prováveis zonas de dispersão da espécie, sendo encontrada na zonas mais úmidas dos Estados do Nordeste e na Amazônia, em matas de terra firme ou várzea.

É uma planta perenifólia ou semidecídua, heliófila e seletiva higrófila, característica da mata alta de várzea de terras firme, sendo encontrada também em formações secundárias, onde se regenera espontaneamente, tanto a partir de sementes como de estacas e raízes.

A cajazeira desenvolve-se bem nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, em clima úmido, subúmido, quente, temperado-quente, e resiste a longo período de seca. 

Na região sul da Bahia, a maior concentração ocorre em áreas de solos férteis, profundos e ricos em matéria orgânica e em consórcio com o cacau, onde a precipitação pluviométrica varia de 1.000 a 1.800 mm. 

No Ceará, ocorre com maior freqüência nas regiões de precipitação média anual superior a 1.100 mm, ou seja, nas zonas litorâneas próximas a Fortaleza e nas Serras. 

Apesar da alta resistência à seca e da ocorrência de algumas plantas na região semi-árida, a espécie não é considerada xerófita. 

A resistência à seca deve-se em parte, ao acúmulo de fotoassimilados e reservas nutritivas nas túberas formadas nas raízes.

Observações

A cajazeira possui flores hermafroditas, estaminadas e pistiladas, com aparente ocorrência de protandria, ou seja os estames amadurecem antes do estigma. Este fenômeno propicia a polinização cruzada e a segregação externada nos pomares de plantas oriundas de sementes, as quais apresentam alta variabilidade quanto ao porte, arquitetura, e formato da copa, características físico-químicas de folhas e frutos, além de longa fase juvenil, porte alto e variação das fases fenológicas, características indesejáveis em plantios comerciais.

Com trabalhos de seleção e utilização da propagação vegetativa tais problemas deverão ser reduzidos.




quarta-feira, 15 de março de 2017

Pragas do Abacaxi


Pragas e métodos de controle

Controle de Pragas

O abacaxizeiro está sujeito à ocorrência de algumas pragas, dentre as quais se destacam a cochonilha e a broca do fruto, responsáveis por sérios danos à cultura. Em consonância com as exigências atuais para produção de alimento “sadio”, o controle das pragas do abacaxizeiro, à semelhança do controle de doenças, deve obedecer aos preceitos do manejo integrado de pragas. Equipamentos calibrados e pessoal capacitado para aplicação de agrotóxicos são componentes fundamentais para o controle de doenças.
O produtor deve efetuar visitas periódicas ao plantio a fim de monitorar a ocorrência de pragas. Em caso positivo, e a depender da infestação, efetuar o controle obedecendo aos preceitos do manejo integrado de pragas.
Murcha do abacaxizeiro associada à cochonilha Dysmicoccus brevipes
Problema de grande importância para a abacaxicultura mundial, a murcha do abacaxizeiro é causada pelo “Pineapple Mealybug Wilt Associated Vírus” (PMWaV), isto é, o vírus associado à cochonilha da murcha do abacaxi, que é transmitido pela cochonilha Dysmicoccus brevipes. A incidência da murcha se caracteriza pela ocorrência de reboleiras de plantas distribuídas pelo plantio. As plantas atacadas expressam sintomas semelhantes aos causados pela murcha fisiológica decorrente do déficit hídrico, diferindo desses por sua distribuição em reboleiras (Figura 1).
Mudas infestadas são os principais agentes de dispersão das cochonilhas, portanto, a primeira medida de controle da murcha consiste na utilização de material de plantio livre dessa praga. Entre as práticas culturais a serem adotadas no manejo integrado da murcha, destacam-se: a) destruição dos restos culturais; b) realização de bom preparo do solo; c) obtenção de mudas em áreas onde a incidência da murcha foi baixa ou nula; d) realização da cura das mudas; e) manutenção do plantio livre de plantas hospedeiras da cochonilha; f) aplicação de inseticida nas reboleiras, direcionando-se o jato para a base da planta. O combate às formigas doceiras (exemplo: lava pés, formiga de fogo, entre outras) é um componente importante no controle da murcha, haja vista que elas são as responsáveis pela dispersão da cochonilha de planta a planta dentro do abacaxizal.
Fotos: Aristoteles Pires de Matos (A, B, C, E); Nilton Fritzons Sanches (D)
Figura 1. Murcha do abacaxizeiro associada à cochonilha: A) em padrão típico de reboleira; B) detalhe de plantas com sintomas; C) efeito da murcha sobre o desenvolvimento do fruto; (D) colônia de cochonilha em planta de abacaxi recoberta com solo como medida de proteção pelas formigas; (E) detalhe da colônia
Broca do fruto, Strymon megarus
Encontrada desde o México até a Argentina, a broca do fruto, Strymon megarus, é uma das pragas mais importantes do abacaxizeiro no Brasil. A larva da broca causa danos na polpa do fruto. Ao se alimentar da polpa, abre galerias no interior do fruto, tornando-o imprestável para a comercialização (Figura 2). Embora em menor proporção, na ausência de frutos a broca pode atacar mudas do tipo filhote (Figura 3), razão pela qual a primeira medida de controle dessa praga consiste na utilização de mudas sabidamente não infestadas. A decisão pela prática do controle químico da broca do fruto, mediante aplicação de inseticidas para proteger a inflorescência em desenvolvimento, deve ser fundamentada no monitoramento da praga no abacaxizal em frutificação. Constatando-se a presença de um adulto ou de ovos da praga, deve-se adotar o controle químico utilizando inseticidas registrados no AGROFIT para esse fim e mediante receituário agronômico. A tomada de decisão quanto ao uso do controle químico com base no monitoramento da praga propicia economia de mão de obra e de insumos, beneficiando a saúde do aplicador e do consumidor, além de reduzir substancialmente a poluição do meio ambiente. O intervalo de aplicação depende do inseticida utilizado e as aplicações devem ser suspensas quando do fechamento das flores.
Observações de campo têm mostrado maior ocorrência de ataque da broca do fruto nas plantas localizadas nas bordas dos plantios, e, em maior severidade, naqueles instalados próximos das matas nativas, indicando que a instalação de plantios distantes da vegetação nativa contribui para reduzir a ocorrência dessa praga.
Fotos: Aristoteles Pires de Matos
Figura 2. Broca do fruto do abacaxizeiro (Strymon megarus): (A) borboleta adulta; (B) inflorescência com uma postura; (C) lagarta na parte externa da inflorescência; (D) sintomas/danos externos; e (E) internos em frutos de abacaxi ‘Pérola’
Foto: Aristoteles Pires de Matos
Figura 3. Ataque da broca do fruto em mudas do tipo filhote de abacaxi ‘Pérola’ caracterizado pelo orifício de penetração da larva e pela exsudação de resina

Controle de outras pragas

Para controlar os cupins subterrâneos, recomenda-se não instalar os plantios em solos compactados, com baixo teor de matéria orgânica e de baixa fertilidade. Um bom preparo do solo de maneira a promover a exposição e a destruição dos ninhos dos cupins contribui para a redução da população da praga

Nematoides

Diversos fitonematoides podem ser encontrados atacando as raízes do abacaxizeiro. Dentre eles, os mais danosos a essa cultura são Pratylenchus brachyurus, Meloidogyne javanicaMeloidogyne incognita Rotylenchulus reniformis. Outros fitonematoides que podem também estar associados às raízes do abacaxizeiro, porém causando menos danos à cultura são Aorolaimus sp., Criconemoides sp., Ditylenchus sp., Helicotylenchus sp., Heterodera sp., Hoplolaimus sp., Longidorus sp., Paratylenchus sp., Radopholus sp., Scutellonema sp., Trichodorus sp., Tylenchorhynchus sp., Tylenchus sp. e Xiphinema sp.
As plantas infestadas, devido ao sistema radicular apresentar-se bastante afetado, são mais sujeitas ao déficit hídrico e nutricional, resultando em menores sustentação e murcha. Uma vez presente no plantio, a eliminação dos fitonematoides é muito difícil, portanto, o diagnóstico e o monitoramento são componentes extremamente importantes no manejo integrado dos mesmos. De maneira geral, os sintomas decorrentes da infestação dessa praga são similares aos da murcha associada à cochonilha e aos da murcha fisiológica.

Controle

Antes da instalação do plantio em áreas novas, é recomendável a coleta de amostras de solo e seu envio para análise em laboratório habilitado quanto à presença de fitonematoides. Caso seja constatado que a área já esteja infestada, recomenda-se a limpeza do solo, um bom preparo do solo, adubações equilibradas, rotação de cultura, dentre outras. Medidas adicionais de manejo integrado, tais como pousio, solarização e monitoramento são também recomendadas, uma vez que auxiliam na redução da população de fitonematoides. O controle químico mediante aplicação de nematicidas deve contar com a orientação de um responsável técnico e obedecer à legislação vigente. Plantios instalados em sistema de consórcio com culturas de ciclo curto, de maneira alternada ou contínua nas entrelinhas, ou com espécies frutíferas perenes, devem ser monitorados de maneira a acompanhar a evolução da população dos fitonematoides, especialmente aqueles que possam causar danos ao abacaxizeiro.
Pragas do Abacaxizeiro


O Brasil ocupa o quarto lugar como produtor mundial de abacaxi, Ananas comosus (L) Merril, com uma área cultivada de aproximadamente 26.000 hectares, enquanto a Tailândia, que ocupa o primeiro lugar, tem uma área plantada de 25.000 hectares e uma produtividade três vezes maior. Essa baixa produtividade brasileira deve-se a vários fatores, destacando-se entre eles as pragas, representadas por algumas espécies de insetos e de ácaros, que se encontram bem adaptadas a essa anonácea e às condições ecológicas das regiões produtoras, causando, conseqüentemente, sérios prejuízos ou até mesmo danos totais à cultura, se medidas eficientes de controle não forem aplicadas.
Dentre os insetos e os ácaros que incidem na cultura, apresentando, às vezes, diferenciação de ataque de região para região, destacam-se, como pragas, os seguintes:

1. BROCA-DO-FRUTO 
A broca-do-fruto, Thecla basalides, é considerada no Brasil como a principal praga da cultura do abacaxizeiro, causando danos elevados em diversas regiões, principalmente em cultivos nos quais os tratos fitossanitários são precários, onde níveis de infestação de até 96% têm sido registrados (Collins, 1960; Sampaio, 1979; Sanches, 1981).
No Brasil, sua presença já foi constatada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco (Silva et al., 1968), Paraíba (Sanches et al., 1985) e Bahia (Sanches, 1989); a ocorrência dessa praga, também, já foi registrada em outros países como Colômbia, Venezuela e México e na América Central (Cunha et al., 1994); aparentemente não é encontrada fora do continente americano.

1.1 Descrição, biologia e comportamento
As fêmeas adultas são borboletas pequenas cuja envergadura mede, aproximadamente, de 28 a 35 mm; apresentam a face superior do primeiro par de asas de coloração cinza-brilhante, com uma faixa escura margeando os bordos e acompanhada de uma franja branca; o segundo par de asas apresenta manchas alaranjadas na margem externa e um par de apêndices caudais pretos e filiformes, com extremidades brancas; as antenas são aneladas de branco (Fig. 1). Os machos assemelham-se às fêmeas apresentando-se, porém, menores e com uma mancha preta na porção ventral das asas anteriores (Monte, 1938; Heinrich, 1947).
Segundo Sanches (1991), as borboletas preferem efetuar as posturas na parte superior e mediana da inflorescência, entretanto, podem depositar seus ovos, também, no pedúnculo e nas gemas dos futuros "filhotes".
Os ovos são arredondados, possuem coloração esbranquiçada e apresentam cerca de 0,8 mm de diâmetro. O período de incubação varia de três a cinco dias, após o qual eclodem as lagartas, que medem de 1,5 a 2,0 mm de comprimento e apresentam o corpo de coloração amarela e a cabeça e o tórax mais escuros (Fig. 2). A lagarta desenvolvida atinge de 18,0 a 20,0 mm de comprimento, com o corpo amarelo-escuro com manchas avermelhadas, sendo a cabeça mais escura e localizada sob o protórax. Ao completarem o período larval, cuja duração varia de 13 a 16 dias, as lagartas saem dos frutos e dirigem-se às folhas basais onde se transformam em pupas; estas apresentam coloração castanha e medem ao redor de 13,0 mm de comprimento. O período pupal de T. basalides varia de sete a onze dias (Harris, 1927; Fonseca, 1937; Piza Júnior, 1969).
O ciclo biológico completo deste lepidóptero varia de 23 a 32 dias, dependendo, principalmente, das variações de temperatura e de umidade (Medina et al., 1978).

1.2 Hospedeiros
Essa broca possui poucos hospedeiros, restringindo-se ao abacaxizeiro e a espécies nativas de bromeliáceas.

1.3 Danos
As lagartas preferem a parte mediana e inferior da inflorescência, podendo destruir as flores, os brotos, superficialmente o pedúnculo e até penetrar no limbo foliar de plantas e mudas (Sanches et al., 1985; Chalfoun & Santa Cecília, 1987).
Geralmente, as larvas atacam inicialmente a parte externa da inflorescência, preferencialmente na base das escamas, local mais tenro que favorece a penetração. Com a destruição do tecido parenquimatoso, ocorre a exsudação de uma resina incolor, que se solidifica em contato com o ar, formando massas ou bolhas irregulares que chegam a atingir 4 cm, tornando-se marrom-escuras e que permanecem aderidas à superfície da inflorescência, resultando no sintoma conhe-cido por "resinose" (Fig. 3). As galerias formadas dentro dos frutos, também ficam cheias dessa resina, que acaba originando odor e sabor desagradáveis, o que torna o fruto impróprio para o consumo. Deve-se ressaltar que esse sintoma é muito parecido com o denominado fusariose, causado pelo fungo Fusarium moniliforme. Quando contaminado com essa doença, o fruto, também, exsuda uma resina; neste caso, porém, ela emerge do centro dos frutilhos, enquanto no caso da broca-do-fruto ela surge entre os frutilhos (Fonseca, 1937; Heinrich, 1947; Leiderman & Vasconcellos, 1955; Sampaio, 1975).
Com o aumento da pluviosidade, no período de desenvolvimento da inflorescência, segundo Choairy & Aguilar (1980), ocorre menor incidência da broca-do-fruto, fato que pode ser atribuído à diminuição da emergência de adultos em decorrência da morte das pupas, motivada por ataque de fungos ou, ainda, por asfixia, em virtude do acúmulo de água nas axilas das folhas.

1.4 Medidas de controle
A seguir, são apresentadas as principais medidas de controle dessa praga.

1.4.1 Controle cultural
· Rotação de culturas: T. basalides apresenta poucos hospedeiros além dos abacaxizeiros; portanto, se o agricultor efetuar uma rotação com outra cultura poderá desfavorecer o desenvolvimento deste inseto no transcorrer do ano, reduzindo a taxa de crescimento de sua população, o que conseqüentemente se refletirá, nos próximos plantios, em menores danos.
· Destruição de frutos atacados: Os frutos atacados devem ser coletados e destruídos, se possível queimados, com o intuito de se eliminar os insetos presentes, evitando-se assim a sua disseminação e elevados níveis populacionais das futuras gerações.
· Alteração no período de diferenciação floral: Algumas substâncias químicas, como o ácido indol acético e beta,hidroxietilhidrazina, podem ser utilizadas para indução do florescimento, de tal forma que esta fase coincida com o inverno, época em que se verifica baixa população da broca, de modo a se obter menor ataque da praga e, conseqüentemente, menores prejuízos.

1.4.2 Controle biológico
Encontram-se na literatura citações sobre o parasitismo de lagartas de T. basalides por Tetrastichus gahani Lima & Guitton, 1962 (Hymenoptera: Eulophidae), Heptasmicra sp., Metadontia cuvidentata Cameron (Hym.: Chalcididae) e Drino heinrichi Lima, 1947 (Diptera: Tachinidae) e sobre a predação por Polistes rubiginosus (Hym.: Vespidae) (Silva et al., 1968; Sanches, 1985).
O controle biológico desta praga mais comumente divulgado é o artificial, através do uso de Bacillus thuringiensis Berliner, (Bth), onde os produtos aplicados em pulverização apresentam eficiência da ordem de 80% (Bth 3,2 PM, na dose de 600 g de produto comercial por ha; Bth 4L - 1.140 ml p.c./ha; Bth 352 P-30 kg p.c./ha). Recomenda-se efetuar estas aplicações em intervalos de sete a dez dias, desde o início da diferenciação floral até o fechamento das últimas flores (Campos et al., 1981; Salomão, 1981; Silveira & Silva, 1993).
Vários autores recomendam a mistura de B. thuringiensis com outros inseticidas; nestes casos as misturas utilizadas têm sido as seguintes: Bth 3,2 PM (0,6 kg p.c./ha) + carbaryl 48 SC (750 ml p.c./ha) e Bth 3,2 PM (0,6 kg p.c./ha) + methomyl 21,5 SC (750 ml p.c./ha).

1.4.3 Controle químico
Controle eficiente da broca-do-fruto tem sido conseguido através de pulverizações com produtos como carbaryl PM (260 g de ingrediente ativo/100 l de água), parathion methyl CE ou diazinon CE (90 ml i.a./100 l de água) (Suplicy Filho et al., 1966; Reis, 1981).
Na ausência de chuvas, podem-se utilizar inseticidas em pó, como carbaryl a 7,5% ou parathion methyl 1,5P, na base de 1 g de p.c./planta (Cunha et al., 1994); porém, Silva & Silveira (1993) verificaram baixa eficiência do carbaryl, da ordem de 41%, quando aplicado em polvilhamento.
Essas aplicações devem ser efetuadas no início da diferenciação floral, no "olho" da planta, até o fechamento das últimas flores, em intervalos de dez a 15 dias, num total de três ou quatro aplicações (Sanches, 1991).

2. COCHONILHA-DO-ABACAXI 
A cochonilha-do-abacaxi, Dysmicoccus brevipes, conhecida pelos agricultores como pulgão-branco ou piolho-branco, encontra-se presente em praticamente todo o território brasileiro, sendo considerada como uma das principais pragas do abacaxizeiro.
Com respeito aos prejuízos, essa praga chegou a danificar em 30,9% as plantações da cultivar Smooth Cayenne no Estado da Paraíba (Choairy et al., 1984); esse prejuízo, porém, pode atingir até 50%, segundo Py et al. (1984).

2.1 Descrição, biologia e comportamento
As fêmeas adultas dessa espécie medem ao redor de 1 mm de comprimento, apresentam coloração rósea, corpo oval e são recobertas por secreção pulverulenta de cera branca que circunda o corpo do inseto, formando 34 prolongamentos de tamanho e espessuras iguais, sendo os quatro posteriores maiores e mais robustos; com essa secreção, elas medem cerca de 3 mm de comprimento (Fig. 4). Os machos adultos são menores, alados, com um par de filamentos caudais longos, têm vida curta, normalmente de dois a três dias, e fecundam, em média, duas fêmeas. Os ovos são elípticos, com córion liso e de coloração amarelo-alaranjada; cada fêmea coloca em média 295 ovos (Menezes, 1973) durante o período de oviposição, que varia de 22 a 40 dias. Após a oviposição, as formas jovens já se encontram formadas no interior dos ovos, e entre 10 e 50 minutos após a postura eclodem as ninfas (Santa Cecília & Reis, 1985).
Os ciclos completos das fêmeas virgens, das fecundadas e dos machos desta cochonilha apresentam durações médias de 63,5, 57,9 e 27,8 dias, respectivamente, em condições controladas de 25,5 oC e UR de 73,5%. Nessa espécie, o acasalamento é necessário para que haja reprodução; a fêmea é ovovivípara e a razão sexual é de, aproximadamente, um macho para duas fêmeas. As fêmeas sofrem três ecdises antes de alcançarem a maturidade e durante os três estádios de vida, alimentam-se normalmente, enquanto os machos sofrem quatro ecdises antes de se transformarem em adultos, alimentando-se apenas durante o primeiro e parte do segundo ínstar (Menezes, 1973).
Esses insetos vivem em colônias, sendo normalmente encontrados sugando seiva nas raízes e nas axilas das folhas; com o aumento populacional eles passam a atacar também os frutos, as cavidades florais e a parte superior das folhas e mudas (Giacomelli, 1969).
Como muitos homópteros, a cochonilha-do-abacaxi vive em simbiose com várias espécies de formigas, as quais se nutrem de substâncias adocicadas produzidas pelo inseto, como Brachymyrmex admotus Mayr, 1887, Camponotus cingulatus Mayr, 1862, Crematogaster quadriformis gracilior Forel, 1901, Odontomachus haematodus L., Paratrechina fulva Mayr, 1862, Pheidole megacephala, Wasmannia auropunctata Roger, 1863 e a conhecida "lava-pé", Solenopsis saevissima F. Smith, 1855 (Silva et al., 1968; Menezes, 1973; Giacomelli, 1974).
Em média, o ciclo biológico de D. brevipes varia de 40 a 60 dias, sendo os períodos quentes e úmidos os que oferecem condições mais favoráveis ao seu desenvolvimento.
Ullah et al. (1993) verificaram que o ciclo de vida desse inseto, alimentando-se de folhas de Psidium guajava, em laboratório, variou de 24 a 28,3 dias, e que as ninfas de primeiro ínstar apresentam uma tendência de se agregarem ao redor do corpo da mãe.

2.2 Hospedeiros
Essa praga, além da sua ampla distribuição, é capaz de se hospedar, principalmente nas raízes, em grande número de plantas, tais como algodoeiro, abacateiro, amendoim, amoreira, ananás, arroz, bananeira, batata, cajueiro, cana-de-açúcar, diversos capins, caquizeiro, citrus, coqueiro anão, coqueiro-da-baía, Cyperus spp., dendezeiro, fruteira-de-conde, Hybiscus spp., jabuticabeira, milho, palmeira, soja, tamareira, tiririca e sapé (Silva et al., 1968).

2.3 Danos
As cochonilhas, ao sugarem a seiva, injetam toxinas que podem provocar alterações no metabolismo da planta, podendo levá-la à morte. O sintoma provocado pela inoculação desta toxina é vulgarmente conhecido por "murcha-do-abacaxizeiro" e pode estar associado a agentes viróticos. Dentre as cultivares mais comercializadas, a Smooth Cayenne mostra-se mais suscetível, quando comparada à Pérola, que se revela mais resistente (Cunha et al., 1994).
Em plantas adultas de Smooth Cayenne, Carter (1933) descreveu quatro estágios da seqüência sintomatológica da "murcha": inicialmente, as folhas ficam vermelho-bronzeadas e flácidas; posteriormente, os bordos ficam enrolados, com suas extremidades curvadas para baixo e adquirem coloração vermelho-amarelada; a seguir, as margens das folhas tornam-se amarelas e sua parte mediana rosa-vivo; no último estágio, as folhas encontram-se ressecadas, cor de palha e o sistema radicular muito debilitado.
Em outro trabalho, Celestino et al. (1989) relataram que a incidência da cochonilha deixa as folhas das plantas vermelhas, passando a róseas e amarelas, eretas, encurvadas para baixo, apresentando tricomas e frutos murchos, pequenos e com cerosidade; esses autores alertam para o fato de que a coloração vermelha das folhas (vermelho-vinho) pode ser sintoma de deficiência de cobre, mas que, neste caso, os frutos não ficam deformados, nem pequenos, duros ou com cerosidade e os tricomas permanecem normais.
O período de tempo entre a infestação e o aparecimento da doença depende muito das condições em que se encontram as plantas de abacaxi, porém, normalmente, a sintomatologia fica evidente dois a três meses após a infecção, em plantas de cinco meses de idade, e em quatro a cinco meses, naquelas infectadas aos nove meses de idade (Piza Júnior, 1969; Cunha et al., 1994).

2.4 Medidas de controle
Os seguintes métodos de controle são recomendados para essa praga:

2.4.1 Controle cultural
· Destruição dos restos culturais: Como o inseto pode permanecer alojado nos restos da cultura anterior, é importante que se destrua esse material, pois isso irá colaborar com seu controle, por promover menor incidência inicial da praga no novo cultivo.
· Emprego de mudas isentas da praga: Tal prática evita a disseminação da praga de uma região para outra e colabora, evidentemente, para que sua ocorrência inicial, em novos cultivos, seja baixa.
· Irrigação: A água abundante sobre a cultura, segundo Santa Cecília et al. (1991), provoca sensível redução da infestação da praga, possivelmente, devido sua retirada das plantas pela lavagem, morte por afogamento e, até, por ação de agentes entomopatogênicos que se desenvolvem melhor nestas condições de alta umidade.

2.4.2 Controle biológico
A cochonilha D. brevipes é parasitada por Anagyrus coccidivorus Dozier, A. pseudococci Girault, 1915 (Hymenoptera: Encyrtidae), Baeoplatycerus viriosus De Santis (Fig. 5), Hambletonia pseudococcina Compère, 1936 (Hym.: Encyrtidae) e Anastatus anonatis Gahan, 1949 (Hym.: Eupelmidae); é predada por larvas de Pseudiastata brasiliensis Lima, 1937, P. nebulosa Coquillett, 1908 (Diptera: Drosophilidae) e Ceratobaeus sp. (Hym.: Scelionidae); e por larvas e adultos de Hyperapsis quinquenotata Mulsant, 1850, Cryptolaemus montrouzieri Mulsant e Scymnus sp. (Coleoptera: Coccinellidae) (Silva et al., 1968; Menezes, 1973; Santa Cecília & Reis, 1985).
A ocorrência de microhimenópteros parasitando a cochonilha, em casa de vegetação, foi constatada por Sanches (1993), que encontrou as espécies H. pseudococcina e Procheiloneurus sp. (Hym.: Encyrtidae) e Signiphora sp. (Hym.: Signiphoridae).

2.4.3 Controle químico
Inicialmente, as cochonilhas podem ser controladas através do tratamento das mudas pela fumigação com brometo de metila a 40 g/m3. Com este produto e uma exposição de duas horas, Petty (1984) conseguiu eliminar a praga sem afetar as plantas. A fumigação por oito horas, entretanto, resultou numa redução significativa da razão de crescimento da planta.
Além desse produto, pode ser efetuada a fumigação, utilizando-se pastilhas de fosfina; Melo et al. (1991) relatam que as doses de 1 g, 2 g e 3 g/m3, após 72 horas de exposição, apresentam uma eficiência de 100% no controle de D. brevipes, entretanto, doses de 2 g e 3 g/m3 provocam fitotoxicidade às plantas.
O tratamento de mudas através da imersão em inseticidas, também, pode ser realizado com boa eficiência, empregando-se diazinon (90 ml i.a./100 l de água), ethion (75 ml i.a./100 l de água), fenitrothion (15 ml i.a./100 l de água), fenpropathrin (80 g i.a/100 l de água), monocrotophos e parathion methyl (90 ml i.a./100 l de água) vamidothion (30 ml i.a./100 l de água) (Emater, 1980; Santa Cecília et al., 1989; Santa Cecília & Rossi, 1991; Santa Cecília & Sousa, 1993). Após esse tratamento, as mudas devem ser espalhadas à sombra, para sua completa secagem.
O tratamento preventivo pode ser realizado nas mudas ainda na planta mãe, após a colheita dos frutos, exigindo menor dispêndio de mão-de-obra, empregando-se alguns dos produtos anteriormente mencionados.
Após a instalação da cultura, o controle das cochonilhas pode ser efetuado com inseticidas aplicados em pulverização ou com produtos granulados.
Em pulverização, recomenda-se o uso dos produtos diazinon (90 ml i.a./100 l de água), dimethoate (60 ml i.a./100 l de água), fenitrothion (15 ml i.a./100 l de água), fenpropathrin (80 g i.a/100 l de água), parathion ethyl ou methyl (90 ml i.a./100 l de água), vamidothion (30 ml i.a./100 l de água) (Emater, 1980; Santa Cecília & Sousa, 1993; Cunha et al., 1994). Enquanto não se dispõe de informações suficientes para o manejo integrado dessa praga, a maioria dos pesquisadores recomenda o tratamento preventivo entre 60 e 150 dias após o plantio, aplicando-se cerca de 50 a 70 ml de solução/ planta.
Outra forma de controle químico, já mencionada, é o uso de inseticidas granulados que apresentam boa eficiência e efeito residual mais longo que os aplicados em pulverização. Estes produtos devem ser empregados nos períodos chuvosos, para facilitar sua dissolução e absorção pela planta. Os produtos mais recomendados são o aldicarb e o dissulfoton; nesse caso, as aplicações devem ser efetuadas diretamente sobre a planta (Cunha et al., 1994).
Para se evitar maior disseminação da cochonilha, deve-se, também, controlar as formigas, o que pode ser conseguido com a aplicação dos produtos granulados já citados, além de se efetuar bom preparo do solo, para destruir seus ninhos.

3. BROCA-DO-TALO 
A broca-do-talo, Castnia icarus, também denominada vulgarmente broca-do-olho ou broca-gigante, somente é encontrada na cultura do abacaxizeiro nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, podendo ser considerada importante devido ao seu potencial de infestação em várias regiões produtoras.
Warumby et al. (1991a) constataram que na região de Riacho das Almas, PE, esta praga aumenta sua incidência nos meses em que as precipitações são mais elevadas, apresentando picos populacionais em junho e agosto.
Sanches & Cabral (1995) observaram, na região Norte e Nordeste do Brasil, que as plantas da cultivar Perolera foram bastante infestadas pela praga, com 22,9% de ataque, enquanto as cultivares Primavera, Smooth Cayenne e Pérola apresentaram infestações de 15,6%, 9,1% e 2,9%, respectivamente.

3.1 Descrição, biologia e comportamento
Os adultos dessa espécie possuem hábito diurno e medem aproximadamente 3,5 cm de comprimento por 10 cm de envergadura; as asas anteriores apresentam coloração marrom e três faixas brancas características, enquanto as posteriores são de cor vermelha intensa, com bordo e faixas escuros (Fig. 6).
As fêmeas realizam a postura, geralmente, no terço inferior das folhas. As lagartas recém-eclodidas perfuram inicialmente as folhas e vão penetrando até atingir o caule; elas são branco-amareladas e chegam a medir de 6 a 8 cm de comprimento, no final de seu desenvolvimento; neste último ínstar, a lagarta passa a tecer um casulo com fibras do talo, no interior do qual passa à fase de pupa.
A biologia da broca-do-talo foi estudada por Warumby et al. (1993) que relatam o seguinte: período de incubação dos ovos - de 7 a 13 dias; período larval - 180 dias; período pré-pupal - três dias; período pupal - de 30 a 60 dias; longevidade de adultos - de 10 a 15 dias; duração média do ciclo em laboratório - 256 dias. Sob condições normais de ambiente, Silva (1995) verificou um ciclo médio, de ovo a adulto, de 138,8 dias e um período larval médio de 87,3 dias.

3.2 Hospedeiros
Castnia icarus tem sido relatada em alguns hospedeiros como ananás, bananeira e Musaceae (Silva et al., 1968).

3.3 Danos
Essa praga ataca o talo da planta abrindo enormes galerias (Fig. 7) e provocando o seu definhamento gradativo. A planta, antes de morrer, normalmente emite uma brotação lateral (Cunha et al., 1994). Convém ressaltar que alguns autores já encontraram lagartas no interior do fruto, sem no entanto constatarem galerias no pedúnculo.
Tanto em mudas como em plantas em crescimento, ocorre destruição da parte central da roseta foliar, do talo, exsudação de resina e, em seguida, a morte; nos frutos, os danos são irreversíveis (Silva, 1995).

3.4 Medidas de controle
O controle desse inseto pode ser efetuado através dos seguintes métodos:

3.4.1 Controle mecânico
Deve-se efetuar inspeção periódica na área de cultivo e ao se detectar sua presença, deve-se arrancar as plantas atacadas, cortar o caule, localizar a lagarta e destruí-la.

3.4.2 Controle biológico
No Estado de Pernambuco, Warumby et al. (1991b) encontraram lagartas de último ínstar de C. icarus parasitadas por Apanteles spp. (Hymenoptera: Braconidae). Nesse mesmo Estado, Silva (1995) verificou a patogenicidade de Beauveria bassiana (Bals.) e Metarhyzium anisopliae (Mutsch.) sobre lagartas de segundo ínstar, em laboratório, constatando mortalidade de 54% e 68,8%, respectivamente, o que sugere a possibilidade futura do uso desses microrganismos no controle dessa praga.

3.4.3 Controle químico
São recomendados os mesmos produtos utilizados em pulverização para o controle de D. brevipes.

4. BROCA-DO-COLO 
Uma das primeiras observações da broca-do-colo, Paradiophorus crenatus, data de 1946, quando Falanghe (1948) constatou seu ataque na região de Limeira, SP, porém, sem causar prejuízos sensíveis às plantações.
Sua ocorrência tem se restringido aos estados de São Paulo e Mato Grosso.

4.1 Descrição
O adulto apresenta comprimento variável entre 22 a 25 mm, coloração preta, brilhante, cabeça prolongada para frente, em um típico rostro, com sulcos largos e profundos nos élitros (Fig. 8).

4.2 Danos
Os ovos, de cor branca, são colocados na região do coleto, em orifícios. As larvas iniciam a abertura de galerias, cujo diâmetro vai aumentando até atingir 15 mm, podendo ser encontradas de uma a seis larvas por planta; suas galerias são obstruídas com uma serragem filiforme e grosseira. Ao final do período larval, elas praticamente já seccionaram a planta, na porção situada abaixo da superfície do solo, permanecendo somente uma camada fina sustentando a planta; a seguir, tecem um casulo em cujo interior transformam-se em pupas, de onde emergem os adultos (Falanghe, 1948; Gallo et al., 1988).
Durante a fase de ataque das larvas (Fig. 9), a planta não apresenta um quadro de sintomas muito claro; posteriormente, porém, devido à reação da própria planta, percebem-se alguns sintomas como seca das extremidades das folhas e amarelecimento geral da planta (Falanghe, 1948).
As plantas atacadas têm a formação dos frutos, que podem ficar secos, muito prejudicada. Essas plantas, pela falta de apoio, quebram-se com muita facilidade.

4.3 Medidas de controle
Segundo Medina et al. (1978), não existe controle eficiente para a broca-do-colo; esses autores recomendam a destruição dos restos culturais e a rotação de cultura como medidas alternativas.

5. PERCEVEJO-DO-ABACAXI 
O percevejo-do-abacaxi, Lybindus dichrous, tem sido observado causando prejuízos em algumas regiões dos estados de São Paulo e Mato Grosso.

5.1 Descrição, comportamento e danos
O adulto apresenta a cabeça de cor vermelho-escura, pronotos pretos, com margens laterais amarelo-avermelhadas e asas pretas. Medem cerca de 11 a 12 mm de comprimento por 4 mm de largura (Fig. 10). As fêmeas colocam os ovos na parte inferior do pedúnculo, na base da infrutescência; esses ovos são inicialmente de coloração castanho-clara e vão se tornando escuros, quase pretos, próximo à eclosão das ninfas; estas são avermelhadas, passando a pretas no final do desenvolvimento (Mariconi, 1953; Reis, 1981).
Os percevejos jovens e adultos agrupam-se na parte inferior do pedúnculo da infrutescência e aí permanecem, escondidos, sugando a seiva; podem atacar o fruto. O fato de cada planta abrigar muitos insetos faz com que a infrutescência não se desenvolva ou cresça pouco e, também, provoca a seca ou apodrecimento do pedúnculo. É interessante ressaltar que esses insetos não atacam as plantas sem frutificação e que o abacaxizeiro parece ser a única planta hospedeira dessa espécie, o que a torna uma praga em potencial.
Com altas precipitações, ocorre uma queda acentuada no nível populacional desse inseto (Mariconi, 1953).

5.2 Medidas de controle
Como método preventivo, aconselha-se efetuar a eliminação dos restos culturais. Como controle químico, recomendam-se os mesmos produtos utilizados para a broca-do-fruto; além daqueles produtos, Reis (1981) recomenda a utilização de malathion CE na base de 2,0 l/ha.

6. CARUNCHO-DO-ABACAXI 

6.1 Descrição e comportamento
O caruncho-do-abacaxi, Parisoschoenus ananasi, é um coleóptero pequeno, medindo 4 mm de com primento, de cor preta, com uma linha branca na base dos élitros (Fig. 11); apresenta a cabeça com o rostro prolongado, sendo facilmente encontrado nas plantas, principalmente nas horas mais quentes do dia.

6.2 Danos
Os carunchos fazem pequenos orifícios na base das folhas, na região não clorofilada, e dois meses após observam-se nesse local manchas arredondadas de cor parda com a porção central deprimida, circundada por um halo clorótico, medindo de 3 a 8 mm de diâmetro. Ao atacarem os frutos, destroem as infrutescências e provocam uma exsudação de resina. Os danos são causados apenas pelos adultos (Giacomelli et al., 1972; Gallo et al., 1988).

6.3 Medidas de controle
Em virtude da inexistência de dados na literatura, recomendam-se os mesmos inseticidas aplicados para o controle da broca-do-fruto.

7. ÁCARO-ALARANJADO 
Normalmente, o ácaro-alaranjado, Dolichotetranychus floridanus, é mencionado como sendo de importância secundária para a cultura do abacaxizeiro. Cunha et al. (1994), contudo, relatam que em ataques severos eles podem causar reduções de até 16% na produção.
Essa espécie ocorre em diversos países do mundo, como Havaí, Ilhas Filipinas, Cuba, Panamá, Porto Rico, Honduras, México, Estados Unidos, Japão e África do Sul (Oliveira, 1982).
No Brasil, sua ocorrência é generalizada por todas as regiões produtoras de abacaxi, sendo suas condições de sobrevivência mais favoráveis naquelas em que a temperatura é elevada e a umidade relativa é superior a 45% (Rossetto & Giacomelli, 1966; Sanches & Zem, 1978; Flechtmann, 1979; Veiga, 1980).

7.1 Descrição e comportamento
D. floridanus é reconhecido por apresentar o corpo alongado, achatado e com coloração vermelho-alaranjada. O macho apresenta o corpo afilado na parte posterior. Os ovos apresentam formato oval e cor alaranjada.
Esses ácaros instalam-se nas axilas das folhas basais, provocando lesões de coloração escura.

7.2 Danos
Os maiores prejuízos são notados em plantas jovens, acarretando danos à circulação da seiva e facilitando a entrada de micror-ga-nismos (Py & Tisseau, 1965; Rossetto & Giacomelli, 1966).
Veiga (1980) relata que os danos em plantas jovens, de até 120 dias, surgem com o amarelecimento, seguido de seca da parte apical das folhas da base, podendo levar a planta à morte; já em plantas adultas, ocorre um amarelecimento, algumas vezes causando murcha, sem contudo acarretar a morte da planta.
Segundo Ventura et al. (1980), o aparecimento da gomose, pelo agente causador Fusarium moniliforme, está relacionado com a presença do ácaro-alaranjado.

7.3 Medidas de controle
Como controle desse artrópode, recomenda-se a utilização de mudas sadias, que podem ser conseguidas com o mesmo tratamento usado para cochonilhas.