domingo, 20 de agosto de 2017

Variedades de Mirtilo


Descrição da planta, melhoramento genético e cultivares

O mirtilo é membro da família Ericaceae, subfamília Vaccinoideae e gênero Vaccinium. Segundo Longley (1927) e Newcomber (1941), citados por Eck (1966), o número básico de cromossomos da espécie é 12. O mirtilo é nativo da América do Norte, Estados Unidos e Canadá, onde é denominado "blueberry". Galletta e Ballington (1996) classificam os tipos de mirtilo, comercialmente plantados, em cinco grupos importantes, descritos a seguir: Highbush: (arbusto alto) São plantas de dois ou mais metros de altura. A necessidade em frio hibernal das plantas deste grupo está geralmente entre 650 e 850 horas. Half high: (arbusto de médio porte): Este grupo tem plantas de 0,5 a 1,0 m de altura. Presentemente, este grupo envolve híbridos de V. angustifolium e V. corymbosum. Tem menor exigência em frio do que o grupo anterior. Southern highbush: (arbusto de porte alto, originário do sul dos EEUU). Este grupo também conhecido como"highbush" de baixa necessidade em frio, predomina a espécie V. corymbosum, Galletta e Ballington (1996) Tem melhor desempenho nos planaltos, nos solos pobres em matéria orgânica, apresenta maior resistência as doenças. São mais exigentes em água estruturação e fertilidade de solo, drenagem e quantidade de matéria orgânica do que as cultivares do tipo "rabbiteye".(Vilella, 2003) Rabbiteye -"olho de coelho" (espécie hexaplóide): As plantas deste grupo podem alcançar de dois a quatro metros de altura. Algumas das características da espécie V. ashei são: vigor, longevidade, produtividade, tolerância ao calor e à seca, problemas com fungos e variações de solo, baixa necessidade em frio, produzindo frutos ácidos, firmes e de longa conservação. Entre as limitações dessa espécie, estão o fato de desenvolver a cor completa dos frutos e melhor sabor antes do ponto ideal de colheita e apresentam tendência a rachar a película em períodos úmidos, a película do fruto de coloração escura está correlacionada com frutas mais doces e com auto-esterilidade. Muitos desses defeitos já foram solucionados através de melhoramento genético.Por exemplo, as cvs, Beckyblue e Premier produzem frutos de tamanho, cor e qualidade competitivos com as cultivares do grupo "highbush", Galletta e Ballington (1996). Lowbush (arbusto de pequeno porte): As plantas têm menos de meio metro de altura. A maioria delas pertence à espécie V. angustifolium, embora esteja neste grupo, o mirtilo do Canadá (V. myrtilloides e V. boreale), Galletta e Ballington (1996). Esta classificação pode ser simplificada, utilizando-se três classes: "highbush"; "lowbush" e "rabbiteye". Neste caso, "highbush" compreenderia espécies cuja altura de plantas varia de 1.5 a 7m, mas o mirtilo cultivado foi desenvolvido principalmente de duas espécies: V. corymbosum L. e V. australe Small, embora várias outras espécies tenham sido utilizadas em programas de seleção e melhoramento. Plantas dessas espécies são encontradas na costa leste da América do Norte (da Nova Escócia ao sul de Quebec e oeste de Wisconsin) estendendo-se até o extremo norte da Flórida e sudeste do Alabama. As populações do sul são formadas principalmente por V. australe Small, enquanto nas do norte, predomina V. corymbosum. Esta última espécie, entretanto, pode misturar-se com outras como V.lamarckii e V. britonii, no seu limite mais ao norte, e V. arkansanum, simulatum, australe e marianum próximo ao seus limites ao sul. Tipos intermediários entre estas espécies podem ser observados.(Eck,1966, apud Eck et al,1990). O tipo "lowbush" também inclui diversas espécies, entre elas V. mirtilloides, V. angustifolium,sendo esta a "lowbush" de maior importância comercial nos Estados Unidos e a mais abundante espécie encontrada nos velhos campos do Canadá. Com menor importância, são encontradas as espécies V.lamarckii e V. britonii. O grupo chamado "rabbiteye" (olho de coelho) (V. ashei Reade), tem plantas que podem atingir até 10 metros de altura e estende-se do norte da Flórida até sul de Alabama e Geórgia. Esta espécie e considerada pelos melhoristas como a que oferece as maiores possibilidades para o melhoramento, porque é tolerante a uma variação maior de pH do solo e a altas temperaturas, além disso apresenta certa resistência à seca e baixa necessidade em frio. (Eck et al, 1990). Características desejáveis da espécie Vaccinium angustifolium são: baixo porte das plantas, maturação precoce e concentrada, resistência à seca, e ao frio, produtividade e doçura. Características negativas incluem: auto-infertilidade, pequeno tamanho dos frutos, hábito de crescimento muito aberto, alta exigência em frio hibernal (acúmulo de temperaturas menores ou iguais a 7,2°C igual ou maior que 1000 horas), maciez e baixa acidez do fruto. Galletta e Ballington1(1996) citam que Coville começou a domesticação do mirtilo, em 1906. Ele estudou esta espécie desde a germinação da semente até a maturação do fruto. Peculiaridades da espécie incluem a necessidade de solo ácido com boa drenagem, mas moderada umidade do solo. Esta necessidade é explicada pela ausência de pilosidade na raiz.Os primeiros trabalhos com mirtilo iniciaram no final do século XIX, em Maine, Rhode Island, New York e Michigan. Card iniciou o programa de Rhode Island em 1898, selecionando as melhores plantas nativas para estudo de propagação e capacidade de transplante. O interesse do mercado de Boston pelo fruto do mirtilo e o potencial de melhoramento da espécie despertaram o interesse de Coville que, em 1906, começou trabalhos de seleção e propagação das plantas que produziam os frutos maiores. Sua primeira seleção foi `Brooks´, que era do tipo highbush. Em 1911, ele cruzou `Brooks´ com `Russel´, do tipo "lowbush", realizada em 1909, sendo este o primeiro cruzamento bem sucedido realizado com mirtilo. Quando Coville faleceu, em 1937, havia cerca de 70.000 híbridos e 15 cultivares lançadas. Esta espécie, domesticada inteiramente no século XIX, desenvolveu um mercado mundial originando programas de melhoramento na Holanda, Alemanha, Canadá, Irlanda, Itália, Finlândia, Yugoslávia, Inglaterra, Dinamarca e Escócia (Galletta, 1975).

Objetivos dos programas de Melhoramento

Os objetivos dos programas de melhoramento geralmente incluem:
Características das plantas como tipo, vigor, precocidade, produtividade, facilidade de enraizamento, época de colheita, resistência a doenças, pragas, resistência a calor e seca, necessidade em frio e adaptação a diversos tipos de solo. Dentre as características dos frutos são importantes o tamanho, a cor, o hábito ou formato do cacho, a cicatriz, a textura, a firmeza, o sabor. período de desenvolvimento das frutas, conteúdo nutricional e qualidade para processamento.
Devido ao interesse mundial por este fruto as características da planta e do fruto referentes à tolerância a doenças e pragas e caracteres ligados à adaptação necessitarão atenção especial em futuros programas de melhoramento, tais como:
  1. Amplitude de adaptação a diferentes tipos de solo, com menor dependência de solos ácidos, orgânicos e com pobre drenagem (para o tipo “highbush”).
  2. Mais ampla adaptação climática para regiões de inverno ameno e longo período de crescimento, assim como para áreas mais frias, com curtos períodos de crescimento, incluindo tolerância à geadas e temperaturas de congelamento durante a floração ou floração tardia, para evitar o efeito das geadas.
  3. Redução do tempo para iniciar a colheita comercial de três a quatro anos para dois a três anos, dependendo da espécie envolvida.
  4. Resistência a doenças, pragas e nematóides.
  5. Tolerância a manejo mecânico da colheita, poda, redução de capina, cobertura morta ou herbicida e aumento da densidade de plantio.
  6. Excelência do sabor dos frutos, tanto in natura como após o processamento, bem como manutenção do pico de melhor sabor, por um período prolongado.( Galletta e Ballington, 1996).
Biologia floral: Os membros do gênero Vaccinium formam flores, geralmente, na posição axilar. Em espécies cujas gemas têm escamas sobrepostas (scaly buds), as gemas são dimórficas, sendo as gemas rotundas, duas ou mais vezes maior que as gemas finas, vegetativas. Nas outras espécies, a aparência externa das gemas vegetativas e floríferas é semelhante. O número de flores por inflorescência varia entre espécie; de seis flores para Myrtillus, e 14 para Cyanococcus. As flores individuais são perfeitas, com uma corola simpétala com 4 ou 5 lóbulos. A corola pode ter forma de campanulada, de sino e de urna. Os estames são em número de oito ou dez, geralmente o dobro do número de lóbulos da corola. As anteras têm a forma de tubos ocos, alongados, com um poro na extremidade por onde sai o pólen. Em geral, o estigma é indiferenciado, sobre um estilete filiforme.(Galletta e Ballington, 1996).
O pólen é composto de quatro grãos unidos, geralmente, um tetraedro, dos quais cada um é capaz de germinar “in vitro” Quando a antera está deiscente, o pólen geralmente cai, passando do estigma e para fora da corola, sem afetar a polinização. Por isso, na natureza, é importante a polinização por insetos (Galletta, 1975).

Polinização

Para que uma produção comercial seja satisfatória é necessário: que pelo menos 80 % das flores frutifiquem e a existência de insetos polinizadores, uma vez que, pelo formato da flor, o pólen cai fora da mesma e não no estigma. Apesar da espécie (do tipo highbush) ser autofértil, a polinização cruzada favorece a obtenção de frutos de melhor tamanho. É aconselhável colocar cinco colméias, por hectare, quando 25% das flores estiverem abertas (Eck et al., 1990).
No caso do mirtilo do tipo “rabbiteye” há, em geral, algum grau de incompatibilidade. Assim, é aconselhável o plantio de, pelo menos, duas cultivares para a polinização cruzada.
Fotos: Maria do Carmo Bassols Raseira 
Figura 1. Flores de mirtilo e ação de polinizadores

Cultivares

Na Embrapa Clima Temperado foram testadas as seguintes cultivares: Aliceblue, Bluebelle, Briteblue, Bluegem, Clímax, Delite, Florida, Powderblue, Woodard, destacando-se Bluegem, Powderblue e Aliceblue. Dados de fenologia e produção da safra 2003 estão apresentados na Tabela 1.
‘Aliceblue’: é originária de Gainesville, Flórida, por polinização aberta de ‘Beckyblue’. Necessita de polinização cruzada e tem alguma resistência ao oídio. Mostrou muito boa adaptação às condições de Pelotas (RS) e os frutos têm um sabor equilibrado de acidez a açúcar. O teor de sólidos solúveis tem sido, em média, 11,3 a 11,8°Brix.
O peso médio do fruto tem variado entre 1,5 e 1,8g.A película é azulada e a cicatriz (local donde se desprendeu o cálice) é média a pequena e seca. È a cultivar de maturação mais precoce, dentre as testadas. Floresce de meados de agosto a início de setembro e a colheita inicia, nas condições de Pelotas, RS, em meados de novembro.
`Bluebelle`: originária de Tifon, Geórgia, de cruzamento realizado em 1946, entre ‘Callaway’ e ‘Ethel’. É autofértil. Na coleção em teste, os frutos produzidos foram firmes, de tamanho médio (entre 1,1 a 1,3 cm de diâmetro), sabor doce e ácido, predominando a acidez e presença moderada de pruína na superfície. A película é bem escura. O teor de sólidos solúveis foi, em média, de 11,5°Brix e o diâmetro variou de 1,0cm a 1,7cm e o peso médio das frutas foi de 1,0 a 1,3g.
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 2. Aspectos de frutos e da planta, cv Bluebelle.
‘Bluegem’: cultivar originária de Gainesville, Flórida, de polinização livre de uma seleção chamada Tifton 31. Necessita polinização cruzada e ‘Woodard´, é uma das polinizadoras recomendadas. Os frutos têm muito bom sabor e a película apresenta bastante pruína. O teor de sólidos solúveis tem sido entre 10,5 e 12,8°Brix.. O diâmetro dos frutos esteve entre 1,0cm e 1,6cm e o peso médio foi em torno de 1,3 g. A colheita é mais tardia que `Aliceblue´ e antes da cv. Powderblue.
Foto: Luis E. C. Antunes
Figura 3. Aspecto de frutos da variedade
de mirtilo Bluegem.
`Briteblue`: Esta cultivar tem origem em Tifon, Geórgia, tendo sido desenvolvida pela Coastal Plain Experimental Station and Crops Research. Division de Agricultura dos Estados Unidos. De acordo com a descrição no registro de cultivares, produz frutos grandes (acima de 1,3 cm de diâmetro), com película azul-clara, sabor regular e boa firmeza, podendo ser transportados para mercados distantes. Em Pelotas o peso médio e o diâmetro, da fruta foram respectivamente de 1,3 a 1,6 g e 1,0 a 1,7cm. O teor de sólidos solúveis totais tem variou de 9,2 a 11,3°Brix.. Entre cultivares testadas na Embrapa Clima Temperado, é a que produz os frutos mais firmes.
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 4. Aspectos de frutos e da planta, cv Brite Blue.
`Clímax`: esta cultivar é também originária de Tifton, Geórgia, desenvolvida pela Coastal Plain Experimental Station e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Proveniente de um cruzamento entre ‘Callaway’ e ‘Ethel’. Os frutos podem ser considerados de tamanho médio, com película de coloração azul-escura e polpa saborosa. Amadurece de maneira relativamente uniforme. Em Pelotas, o diâmetro e o peso médio dos frutos variou respectivamente de 1,0 a 1,7cm, e 1,8 g.A película apresenta-se coberta por bastante pruína, dando o aspecto bem azulado à mesma; o teor de sólidos solúveis variou entre 10° e 12,4° Brix. O sabor foi doce ácido.
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 5.  Aspectos de frutos e da planta, cv. Clímax.
`Delite`: Tem origem na mesma Estação Experimental da cv. Clímax, oriunda do cruzamento de duas seleções: T14 e T15. Na descrição de registro da cultivar (The Brooks and Olmo, 1997) consta que os frutos são de tamanho grande. Nas condições de Pelotas, sem irrigação, os frutos são pequenos a médios, variando o diâmetro de 1,2 a 1,8cm e o peso médio de 1,2g e nos anos de (2001 a2003), o teor de sólidos solúveis variou entre 10,8 e 12,5° Brix. A película apresentou menos pruína do que os frutos da cv. Clímax, sendo bem escura. Segundo o registro desta cultivar, o sabor é excelente e a maturação inicia poucos dias após ‘Briteblue’.
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 6.  Aspectos de frutos e da planta, cv. Delite.
`Powderblue`: os frutos desta cultivar apresentaram tamanho do fruto, médio (entre 1,3 a 1,6cm de diâmetro) a bom (acima de 1,7cm de diâmetro) com muito bom sabor, doce-ácido equilibrado. É uma das cultivares com maior quantidade de pruína na película. O diâmetro e o peso médio dos frutos variou respectivamente entre 1,2cm e 1,5cm e 1,2 a 1,9g e o teor de sólidos solúveis, 11° a 11,7°Brix. Esta cultivar originou-se em Beltsville, Maryland., de um cruzamento entre `Tifblue` e `Menditoo`, realizado por G.M. Darrow, Agricultural Research Service. É considerada resistente a doenças, sendo as plantas produtivas e vigorosas. Foi a cultivar de maior produtividade na coleção da Embrapa, safra 2002/2003 (6,100g/planta).
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 7.  Aspectos de frutos e da planta, cv. Powderblue.
‘Woodard’: cultivar também originária de Tifton, Geórgia, e oriunda do cruzamento entre ‘Ethel’e ‘Callaway’. Os frutos têm boa aparência sendo a película azul-clara. São considerados macios e, portanto, inadequados para transporte a longas distâncias. A maturação é pouco mais tardia que a ‘Climax´ e o peso e o diâmetro médio dos frutos variou respectivamente entre 1,0 a 1,2g, e 1.1 a 1,5cm. O teor de sólidos solúveis tem sido superior a 12° Brix, podendo chegar a 13°9°Brix.
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 8.  Aspectos de frutos e da planta, cv. Woodard.
Outras cultivares interessantes: Misty é uma das cultivares da Flórida. Não é patenteada e está sendo bastante plantada no Uruguai e Argentina. Resultou do cruzamento entre a seleção Fl 67-1 e a cv. Avonblue. Os frutos são grandes, azul claro, com cicatriz, firmes e saborosos. Tende a produzir excessivo número de gemas florais e geralmente necessita de poda de inverno para reduzir o potencial de floração. (Brooks & Olmo, 1997).
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 9. Aspectos de planta da variedade Misty.

O `Neal`, originária da Carolina do Norte, do cruzamento entre Wolcott e Fla 4-15. Pertence ao grupo Highbush do sul, predominando V. corymbosum, contém alguns gens de V. angustifolium, V. ashei e V. darrowi. É de maturação precoce, produzindo frutos grandes com boa firmeza, cicatriz, boa coloração da película e sabor. A planta é vigorosa, produtiva, semi ereta e de baixa necessidade em frio, cerca de 400 horas. È resistente à raça 1 do patógeno causador do cancro dos caules (Brooks & Olmo, 1997).
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 10. Aspectos de planta em inicio de floração, variedade O`neal.
Sharpblue: Originária do programa de melhoramento da Universidade da Flórida. È uma cultivar tetraplóide derivada de uma série de cruzamentos entre V.ashei , V. darrowi e V. corymbosum. Foi selecionada em 1966. Os frutos são de tamanho médio, de forma redonda oblata, de película azul escura, polpa medianamente firme e maturação muito precoce. A planta é vigorosa, produtiva e de baixa necessidade em frio (Brooks & Olmo, 1997)
Emerald: foi lançada em dezembro de 1999 e tem sido testada na Flórida. Oriundo do cruzamento entre uma seleção da Flórida com uma da Carolina do Norte (NC 1528). É precoce uma vez que Floesce e brota praticamente junto com ´Sharpblue´.As plantas são vigorosas e de hábito de crescimento intermediário entre aberto e vertical.Os frutos são maiores do que da cultivar ´O´Neal´. Apresentam boa cicatrização, firmeza, sabor e cor de película. Os cachos de frutos são um pouco mais densos que o ideal. A cv. Emerald enraíza bem de estacas e cresce bem nos viveiros (www.smallfruit.org, 2003).
Bluecrispy: Foi também conhecida como `Crunchyberry` (baga crocante) por causa de sua rara firmeza, e uma textura quase crocante do fruto maduro. Os frutos desta cultivar são muito doces, têm boa conservação e resistem muito bem ao transporte,as frutas conservam a qualidade tipo exportação mesmo quando o clima se torna quente e chuvoso. É do tipo "highbush" e seus frutos são de tamanho semelhante às da cultivar `O´Neal´,entretanto a colheita é mais difícil, necessitando de maior esforço para desprender os frutos da planta. As plantas são vigorosas e com crescimento do tipo intermediário entre aberto e vertical. (www.smallfruit.org, 2003).
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 11.  Aspectos de planta em inicio de floração, variedade Blue Crisp.
Millenia: Foi selecionada na Flórida e lançada em 2001, tendo sido. Os frutos são de bom tamanho (acima de 1,7cm de diâmetro), grandes, com epiderme de cor azul clara, excelente cicatriz (seca e regular) e firmeza. O sabor não é acentuado. A planta é vigorosa e de hábito mais aberto. Tem grande potencial produtivo. A necessidade em frio é estimada em 300 horas (www.smallfruit.org, 2003).
Jewel e Sapphire: São novas cultivares do tipo "highbush" lançadas pelo programa da Flórida, Estados Unidos, com muito baixa necessidade em frio. Ambas produzem frutos de alta qualidade e maturação precoce. Os frutos de `Jewel´ são talvez adstringentes demais para certos mercados (www.smallfruit.org, 2003).
Foto: Luis E. C. Antunes
Figura 12.  Planta da variedade Jewel.
Bonita: Originária do Programa de Melhoramento da Flórida, Gainesville. Foi obtida da polinização livre de `Beckyblue`. È da espécie V. ashei. Os frutos são de tamanho médio a grandes, de película azul clara e sabor adstringente até o completo amadurecimento. É de maturação precoce e auto-incompatível (Brooks & Olmo, 1997). A exigência em frio é semelhante à cv. Clímax provavelmente adaptar-se-ia ao Sul do Brasil.
Tifblue: Originária de cruzamento entre Ethel x Clara, realizado em 1945, em Beltsville, Md. e selecionada em Tifton, Ga. A epiderme dos frutos é azul bem claro, a polpa é firme e gostosa. A cicatriz é pequena e seca. Por muitos anos, foi a cultivar de mirtilo do tipo `rabbiteye`, mais plantada no mundo (Brooks & Olmo, 1997).
Windy: Cultivar do tipo `rabbiteye`, patenteada e lançada pela Universidade da Flórida em 1992, os frutos são de tamanho médio a grande , com boa cicatriz, boa firmeza e saborosa. As plantas são vigorosas e abertas com média produtividade. A necessidade em frio é estimada em 300 horas (The Brooks and Olmo, 1997).
Georgiagem: Oriunda da Geórgia e é do tipo "highbush" do sul, sendo basicamente V. corymbosum, vem de cruzamento entre as seleções G132 x US 76; aproximadamente 25% V. darrowi. Inclui no sua genealogia as cultivares Ashworth, Earliblue e Bluecrop.É descrita como produtora de frutos de muito boa cor e qualidade, pequena cicatriz,firmes, de sabor agradável e maturação precoce. As plantas são medianamente vigorosa e de produtividade média, com hábito de crescimento semi-vertical.(Brooks & Olmo, 1997).
Foto: Nara C. Ristow
Figura 13. Planta da variedade Georgiagem, com 4 meses deplantio
em vaso
Bluecrop: Por muitos anos, foi considerada a cultivar mais importante do mundo. Lançada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em New Jersey e New Jersey Exp. Sta. Originou-se de cruzamento entre GM-37 (Jersey x Pioneer) x CU-5 (Stanley x June), realizado em 1934, por Coville e Freeman, Tem cachos de frutos grandes, medianamente soltos, a forma dos frutos são redondo oblata, com bom sabor, subàcido, polpa firme, resistente à rachadura e com pequena cicatriz. As plantas são eretas, vigorosas, resistentes à seca e com produção consistente (The Brooks and Olmo, 1997).
Star: É do tipo "highbush" do Sul. Lançada e patenteada pela Universidade da Flórida. Selecionada dentre a progênie do cruzamento FL 80-31 por O´ Neal. Os frutos são grandes, azul escuros, com boa firmeza e sabor. As plantas são de hábito vertical, moderado. O vigor e a produção são médios, com necessidade em frio de cerca de 400 horas (Brooks & Olmo, 1997).
Beckyblue: Desenvolvido por Sherman, W.B. e Sharpe R.H. Universidade da Flórida, de um cruzamento entre uma hexaplóide V. ashei Reade por E96, uma seleção tetraplóide de highbush. Os frutos são redondos, firmes, bom sabor e epiderme de cor azul média. A planta desta cultivar tem hábito de crescimento aberto e não é auto fértil, necessitando ser plantada com outras cultivares (Brooks & Olmo, 1997).
Premier: Originária em Beltsville, de um cruzamento entre Tifblue e Homebell. Entretanto seus frutos são maiores e mais saborosasos,e é similar a cv. Tifblue. Suas plantas são vigorosas, produtivas e devem ser intercaladas com plantas de outras cultivares (Brooks & Olmo, 1997).

Época de floração e colheita

Nas condições de Pelotas, RS, a floração ocorre ao final de agosto ou início de setembro. A colheita vai da segunda quinzena de dezembro ao final da segunda quinzena de janeiro. A frutificação se dá em ramos de um ano de idade e a colheita deve ser feita semanalmente ou preferentemente, duas vezes por semana; entretanto dependendo da cultivar, podem ser necessárias cinco a seis colheitas, que devem ser efetuadas quando a epiderme do fruto está escura (azulada). Segundo Stiles e Abdalla (1966), frutos de boa qualidade podem ser conservados in natura, por até quatro semanas, a 0°C, com alguma perda de qualidade. O mirtilo pode ser comercializado in natura ou processado como polpa para iogurtes, doces, sorvetes e geléias ou apenas ser congelado e comercializado nesta forma.

Melhoramento no Brasil
A Embrapa Clima Temperado introduziu a primeira coleção de mirtilo no sul do Brasil, em 1983, a qual era constituída exclusivamente de cultivares do tipo "rabbiteye". Poucos anos depois, foram introduzidas, procedentes da Flórida, sementes obtidas por polinização aberta da cv. Bonita. Na década de 90, a coleção da Embrapa contava com cerca de 130 seleções, obtidas dentre aqueles "seedlings". Por alguns anos, o programa limitou-se à avaliação dessas cultivares e seleções, uma vez que a espécie não tinha importância no Brasil, sendo preterida as espécies economicamente importantes e que, por isso, não eram prioritárias nas ações de pesquisa. Nos quatro últimos anos, foram ativados os trabalhos, realizadas novas introduções de cultivares e de sementes, não só de cultivares do grupo "rabbiteye" como também de "highbush e híbridos. Presentemente, estão a campo mais de 3 mil seedlings para serem avaliados nos próximos anos outros 8 mil estarão prontos para serem transplantados para o local definitivo. Algumas seleções das originalmente feitas, a partir das sementes de `Bonita`, tem se destacado e estão sendo propagadas para testes de validação. As mais interessantes são: Sel. 110 (Figura 21), muito produtiva, frutas de bom sabor, com teor de sólidos solúveis totais entre 11,8 a 14,8°Brix e com diâmetro variando de pouco mais de 1cm a quase 2cm; Sel. 103 (Figura 20) também produtiva, com frutas que dependendo das condições do ano, pode chegar de 10,7 a 16,4° Brix no conteúdo de sólidos solúveis totais. A Seleção Sel. 123 (Figura 22) é uma das mais produtivas atingindo em 2004, 10 kg por planta. Já a Seleção 74 destaca-se pela precocidade de produção, entretanto tem sido inferior à cv. Alice Blue. Espera-se que com o material já existente a campo e os que serão plantados nos próximos anos, oriundos de hibridações realizadas na Embrapa ou introduzidos do exterior, se possa oferecer aos produtores da região, cultivares de maturação uniforme na planta - para facilitar a colheita - produtoras de frutas maiores (diâmetro de 2,5 cm) e de qualidade e que permitam, no conjunto, ampliar o período de colheita.
Seleção Embrapa
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 14.  Aspecto de frutos e plantas, seleção 93
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 15. Aspecto de frutos e plantas, seleção 103.
Fotos: Luis E. C. Antunes
Figura 16.  Aspecto de frutos e plantas, seleção 110.
Foto: Luis E. C. Antunes
Figura 17. Aspecto de frutos e plantas, seleção 123.





quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Clima para o Mirtilo (Blueberry)

A região Sul do Brasil se caracteriza por apresentar uma diversidade climática considerável, com zonas que apresentam clima tropical, enquanto outras têm clima típico temperado e, entre elas, áreas com clima ameno. Nesta região, ocorrem grandes variações, principalmente no que tange ao acúmulo de frio e variações bruscas de temperatura, durante o inverno. Tais parâmetros são considerados de suma importância para definir as áreas com potencial de produção de Mirtilo.
Outros Estados, como por exemplo as regiões altas de São Paulo e Minas Gerais, têm condições, para produzir algumas cultivares de mirtilo, embora em menor escala, pois são regiões com acumulo de frio baixo, de 50 a 250 horas de frio.
O mapa de horas de frio para os três Estados da região Sul é apresentado na Figura 1. Observa-se que as regiões mais altas, desde o Sul do Paraná (região de Palmas e General Carneiro), até o Norte do Rio Grande do Sul (região de Vacaria e São José dos Ausentes) têm um número elevado de horas de frio. Nessas condições, podem ser plantados cultivares mais exigentes em frio. Em tais regiões, geralmente, ocorrem mais de 500 horas de frio abaixo de 7,2ºC. Nas regiões mais baixas, tem-se menos de 200 horas de frio, como no Noroeste do Paraná e no Alto Vale do Uruguai, no Rio Grande do Sul, o mirtilo não deve ter boa adaptação, tendo em vista não se dispor de cultivares de tão baixa exigência em frio.
Ilustração: Marcos Silveira Wrege
Figura. 1 Horas de frio estimadas, de maio a setembro
(abaixo de 7,2ºC), na região Sul do Brasil.
O mirtilo pode ser classificado em dois grupos principais: Rabbiteye e Highbush. As cultivares do primeiro grupo adaptam-se em regiões de pouco frio (cerca de 300 horas de frio), enquanto as do segundo em regiões mais frias, que geralmente coincidem com as de maior altitude.
Os fatores climáticos atuam diferentemente segundo a fase de desenvolvimento, determinando o potencial de produção. Durante a fase de repouso, o frio é o fator mais importante; durante a fase vegetativa, a temperatura, a precipitação e a radiação solar são importantes.
A planta de mirtilo se caracteriza por ser de porte arbustivo, com hábito de crescimento basitônico, ou seja, a brotação ocorre, preferencialmente, nas gemas basais. Este fator é que define o porte da planta.
A falta de frio causa brotação e floração deficiente e, por conseqüência, produção deficiente. As cultivares do grupo higbush necessitam entre 650 a 800 horas de frio (Kender & Brightwell, 1966).Adaptam-se bem em regiões onde o ciclo vegetativo chega até a 160 dias.
Na parte sul do RS (Encosta da Serra do Sudeste), é recomendável o plantio de cultivares do grupo rabbiteye,pois estasnecessitam de um terço ou até mesmo de metade de horas de frio do que as do grupo higbush. Brotam e florescem bem com apenas 360 horas de frio (HF).
No que se refere à resistência às geadas, existe uma diferença de comportamento entre as cultivares (Bailey, 1949). A fase mais critica é da floração. Se a temperatura permanecer baixa por várias horas, causa necrose, tanto no pistilo, como no ovário.
Na fase vegetativa, altas temperaturas associadas à seca causam danos às plantações. devido à baixa capacidade do sistema radicular em absorver água para atender a demanda de transpiração da parte aérea. Durante a fase de desenvolvimento do fruto, a temperatura exerce um papel importante no período que vai entre 50 e 90 dias após a floração.
Para se obter frutos de qualidade, as melhores regiões são aquelas em que o fotoperíodo é longo e as temperaturas noturnas frescas, durante a fase de maturação.
Para um bom desenvolvimento vegetativo, a planta de mirtilo exige dias longos, enquanto para a iniciação floral é necessário o encurtamento do dia (Hall et al, 1963). Quanto à intensidade luminosa, baixa intensidade causa uma redução no número de gemas florais, com conseqüente redução no potencial de produção para o ciclo seguinte.
Por se tratar de planta arbustiva, o mirtilo necessita de boa disponibilidade de água. Para isto, é necessária irrigação, principalmente nas áreas mais secas da região Sul ou onde o solo seja muito raso ou muito arenoso. Para um bom teor de açúcar na fruta, o mirtilo requer até 50 mm de água, semanalmente, durante o período de desenvolvimento das frutas. O tipo rabbiteye, entretanto, apesar das raízes superficiais, é capaz de sobreviver a períodos de seca, devido a características adaptativas, como resistência estomatal, e conseqüente uso eficiente de água.
Assim, é recomendada irrigação para a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, o norte do Paraná, onde chove menos e a temperatura é alta, e para áreas onde a distribuição das chuvas é muito irregular.
Durante o período de repouso, as cultivares do grupo highbush são mais sensíveis ao encharcamento do solo comparadas às do grupo rabbiteye (Korcak, 1983). Isto se deve à maior suscetibilidade do primeiro grupo a podridões de raízes. Porém, na fase de desenvolvimento vegetativo, solos bem drenados são importantes para proporcionar bom desenvolvimento da planta.



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Importância da cultura do mirtilo


A cultura do mirtilo é recente e pouco conhecida no Brasil. Embora se tenha pouca observação deste cultivo no País, e a pesquisa ainda seja restrita a algumas regiões, optou-se por apresentar a técnicos, produtores e viveiristas as observações que se tem no Rio Grande do Sul, acrescidas de experiências de outros países, para que esta publicação possa servir aos interessados como mais uma opção de melhor utilização da propriedade e de diversificação de produtos.
A obra aborda, de forma sucinta e em linguagem simples, os diversos aspectos da cultura, incluindo a classificação botânica das espécies, condições de clima, cultivares, tratos culturais, aspectos fitossanitários e comercialização.
A Embrapa Clima Temperado introduziu, em 1983, cultivares de mirtilo do grupo rabbiteye e, mais recentemente, tem intensificado as ações de pesquisa com a cultura. Assim, espera-se que em pouco tempo se tenham informações mais específicas para as demais regiões de clima temperado do Brasil.
Esperamos com isto estar contribuindo para o desenvolvimento do Sul do Brasil e demais regiões com microclimas adequados ao mirtilo e para melhoria da qualidade de vida dos usuários da pesquisa, o que, em última instância, é a função da Embrapa.
O mirtilo (Vaccinium spp) é uma espécie frutífera originária de algumas regiões da Europa e América do Norte, onde é muito apreciada por seu sabor exótico, pelo valor econômico e por seus poderes medicinais, sendo considerada como “fonte de longevidade”, devendo-se especialmente ao alto conteúdo de antocianidinas contidas nos pigmentos de cor azul-púrpura. Esta substância favorece a visão, oferece enormes benefícios à pele, aos vasos sangüíneos, aos casos de varizes, hemorróidas, problemas circulatórios, transtornos cardíacos, feridas externas e internas, edema, artritis e artroses. Por suas propriedades nutraceuticas e principalmente pelas oportunidades de negócio que a fruta apresenta, tem despertado a atenção de técnicos e produtores de frutas do Brasil.
De acordo com Zheng & Wang (2003), o alto nível de capacidade antioxidante encontrado no mirtilo, medido pelo método ‘ORAC’(Oxygen radical absorbance capacity), ajuda a neutralizar os radicais livres, os quais são moléculas instáveis que estão ligadas ao aparecimento de um grande número de doenças degenerativas e condições que predispõem ao surgimento de doenças cardiovasculares, câncer, deficiência cognitiva, disfunção imunológica, cataratas e degeneração macular. Segundo Salapam et al (2002), a combinação das 11 antocianinas presentes no mirtilo respondem por 56,3 % do valor total de capacidade antioxidante medido pelo método ‘ORAC’. Recentemente em estudos semelhantes, realizados no Brasil, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) por Ramirez et al (2005), observou-se que os polifenois encontrados no mirtilo são capazes de reverter declínios na tradução de sinal neuronais bem como deficits no sistema motor e cognitivo, além de que a suplementação da dieta com mirtilo ser capaz de aumentar a plasticidade Hipocampal. Sendo assim, dietas contenham mirtilo podem prevenir problemas relacionados a doenças neurodegenerativas que incluem o Mal de Alzheimer, Mal de Parkinson e esclerose lateral. Além disso, esta frutífera apresenta excelentes oportunidades de negócio pelo valor alcançado na época de safra, porém a cultura do mirtilo no Brasil, ainda encontra-se em fase de desenvolvimento, ocasião em que se busca um sistema de produção eficiente e competitivo, para inserir o País no rol dos grandes produtores mundiais.
Os primeiros experimentos com mirtilo no Brasil datam de 1983, e foram realizados pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas – RS), com a introdução da coleção de cultivares de baixa exigência em frio, variedades do grupo rabbiteye (Olho de Coelho), oriundas da Universidade da Flórida (Estados Unidos), o plantio comercial iniciou em 1990 na cidade de Vacaria (RS).

O quadro produtivo atual, no país, está estimado em cerca de 60 toneladas, concentradas nas cidades de Vacaria, Caxias do Sul (RS), Barbacena (MG) e Campos do Jordão (SP), totalizando uma área de aproximadamente 35 ha. No Rio Grande do Sul, a região de Vacaria é a pioneira no cultivo desta fruta azul e a grande referência na produção.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Fruticultura (IBRAF), em 2002 o Brasil exportou cerca de quatro toneladas de mirtilo, o que representou uma receita de US$ 24.000,00 aos produtores e divisas para o Brasil. Trata-se de um número pouco significativo, face ao potencial natural que o País oferece para a produção comercial.

A grande questão deste negócio diz respeito a que tipo de fruta o mercado esta disposto a comprar e pagar. As principais variedades cultivadas pertencem ao grupo dos mirtilos altos (southern highbush). Variedades como Misty, O’neil, Jewel, Santa Fé, Bluecrisp, Millenia e Star, estão sendo plantadas devido às excelentes características de seus frutos e pela exigência do consumidor. Variedades que exigem de 150 a 400 horas de frio são perfeitamente adaptáveis às condições de clima presentes no Sul e em algumas áreas do Sudeste do Brasil. Com produções de 6 a 20 toneladas por hectare, dependendo do nível tecnológico adotado, é uma das melhores oportunidades para nossos produtores.

Assim, o cultivo do mirtilo deve ser visto com uma visão mais estratégica, pois os produtores mais organizados já possuem e conhecem a logística de exportação e as oportunidades aí estão apresentadas.

A demanda mundial exige variedades de melhor qualidade do que as inicialmente introduzidas. Introdução e melhoramento de variedades do grupo ‘Southern Highbush’, produção de mudas, técnicas de implantação de pomares, nutrição e fertilidade de plantas, manejo de plantas, manejo integrado de pragas, colheita e pós-colheita, são linhas de pesquisa que precisarão ser implementadas na Empresa, no sentido de apoiar o setor produtivo que deverá entrar rapidamente neste novo negócio.

O sistema de produção do mirtilo, ora apresentado, procura levar ao produtor de frutas, e interessados em geral, informações básicas sobre a cultura.


Para ler em tela cheia é só clicar nas duas setinhas invertidas embaixo e à direita do Slide.





quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Cultura do Coqueiro (Resumo)



1. INTRODUÇÃO
A origem do coqueiro é do sudeste da Ásia. A planta foi introduzida no Brasil através do estado da
Bahia (daí côco-da-Baia), disseminando-se pelo litoral nordestino, sendo hoje o nordeste responsável por 95% da produção nacional (Quadro 1). No contexto mundial, a produção brasileira de coco mesmo sendo pequena, pelo fato do Brasil não produzir óleos, sempre foi de fundamental importância na vida e economia das populações do nordeste como os estados da Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas. Atualmente vem assumindo importância como estados produtores Pará, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O coqueiro é uma das principais oleaginosas do Mundo, com uma produção de 4.723 milhões de toneladas de frutos seco no ano de 1996, sendo Indonésia e Filipinas os principais produtores, enquanto que o Brasil ocupa a nona posição no ranking mundial.
No Brasil, o cultivo do coqueiro representa significante importância social e econômica, visto que 75% das propriedades produtoras possuem área inferior a 10 ha.
Embora a produção no Brasil ocupe mais de um milhão de tonelada (quadro 2), o rendimento da cultura é dos mais baixos, contribuindo com apenas 2% da oferta mundial.
A distribuição geográfica do coqueiro compreende as regiões entre as latitudes20° N e 20° S
(Frémonde et al., 1966). Estima-se uma área plantada de 1.600.0 hectares, distribuída por mais de 86 paises (Persley, 1992).
Quadro 1 – Produção, área colhida e produtividade por região do Brasil – 1996.
REGIÕES PRODUÇÃO (t) ÁREA COLHIDA (ha) PRODUTIVIDADE
Quadro 2 – Produção, área colhida e produtividade do coco-verde no Brasil, 1990-96.
Produção (t) Área colhida (ha) Produtividade

2. COMPOSIÇÃO QUÍMICA E USOS
O Brasil é o único lugar do mundo onde o coco é utilizado como fruta, empregado na produção de balas, doces e sorvetes, além de ser bastante empregado na culinária nordestina, enquanto que nos demais Países produtores, o coco é utilizado para extração do óleo. No Brasil, os produtos mais nobres do coco são o coco-ralado e o leite-de-coco, e mais recentemente a água vem ocupando lugar de destaque dentre os produtos derivados do coco.
Sabendo de sua importância na alimentação, pois substitui a carne, o ovo, o queijo, o leite; e o seu uso diversificado na medicina, como nos tratamentos da hipertensão arterial é importante saber a composição química e sais minerais, que está especificada nos quadros 3 e quadro 4 respectivamente.
Quadro 3 – Composição Química em 100g de coco
Quantidade Composição Química
Polpa Leite
Vitamina B1 (Tiamina) 173,0 mcg 2,0 mcg
Vitamina B2 (Riboflavina) 102,0 mcg 4,0 mcg
Vitamina C (Ácido ascórbico) 8,20 mg 10,40 mg Fonte: As frutas na medicina natural
Quadro 4 - Sais minerais contidos em 100g de coco
Quantidade Composição Química
Polpa Leite
Silício 0,50 mg - Fonte: As frutas na medicina natural
3. CARACTERÍSTICAS DAS PLANTAS
O coqueiro é uma planta pertencente a Família Palmae, uma das mais importante famílias da classe Monocotyledoneae. Sendo que todos os coqueiros cultivados pertencem a espécie Cocos nucifera L. O coqueiro é uma planta que apresenta contínuo florescimento e frutificação ao longo do ano.

O coqueiro possui sistema radicular fasciculado, com raízes primárias de 8mm a 10mm de diâmetro e um número variável de 2000 a 10000 raízes dependendo das condições ambientais e/ ou material genético. Das raízes primarias partem as secundarias, de onde se originam as terciárias, que produzem radicelas medindo 1mm a 3mm de diâmetro, sendo verdadeiros órgãos de absorção. A profundidade do sistema radicular é variada.
Fig. 1 - Sistema fasciculado radicular do coqueiro.


O caule do coqueiro é do tipo estirpe, não ramificado, muito desenvolvido e bastante ramificado. Em seu ápice, prende-se um tufo de folhas que protege a sua única gema apical. A inflorescência é a única ramificação deste caule, pois é considerada um ramo caulinar modificado (Ferri, 1973). A parte terminal do tronco, de onde se formam novas folhas, é tenra e comestível, constituindo o palmito.
Fig. 2 - Caule do tipo estipe

A folha do coqueiro é do tipo penada, sendo constituída pelo pecíolo, que continua pelo raquis onde se prendem numerosos folíolos. Uma folha madura possui comprimento variável, com 200 a 300 folíolos de 90cm a 130cm de comprimento. O comprimento e o número de folíolos varia de acordo com a idade do coqueiro. Um coqueiro-gigante adulto emite de 12 a 14 folhas por ano e um coqueiro-anão adulto 18 folhas por ano. Essas folhas permanecem no coqueiro por um período de três a três anos e meio, apresentando uma copa de 25 a 30 folhas (Child, 1974).
Fig. 3 - Folha do tipo penada 3.4. Inflorescência


O coqueiro possui inflorescências paniculadas e axilares, protegidas por brácteas grandes, chamadas espatas. A espata, ao complementar seu desenvolvimento (três a quatro meses), abre-se, libertando a inflorescência, que é formada pelo pedúnculo, espigas e flores. Cada espiga possui flores masculinas e numerosas flores femininas. O número de flores femininas é influenciado pelas condições nutricionais e hídricas da planta.
O fruto do coqueiro é uma drupa. É formado por epiderme lisa ou epicarpo, que envolve o mesocarpo espesso e fibroso, ficando mais para o interior uma camada muito dura, o endocarpo. A semente é envolvida pelo endocarpo que é constituído por uma camada de cor marrom chamada tegumento que fica entre o endocarpo e o albúmem. O albúmem é uma camada branca, carnosa e muito oleosa, formando uma grande cavidade onde fica o albúmem líquido( água de coco). Próximo a um dos orifícios do endocarpo e envolvido pelo albúmem sólido está o embrião.
4. ECOFISIOLOGIA DO COQUEIRO
4.1. Exigências climáticas
Por ser uma planta de clima tropical, o coqueiro é muito exigente em temperatura, sendo que a ideal gira em torno de 27 °C para que possa manifestar seu potencial produtivo. Temperaturas inferiores a 15 °C leva a uma paralisação do crescimento da planta e abortamento de flores e com isto comprometendo a produção.
Em termos de radiação, o coqueiro desenvolve-se melhor sob condições de luminosidade acima de 2.0 horas de luz/ano.
Quanto a precipitação pluviométrica, a ideal gira em torno de 1600 m anuais, bem distribuídos, visto que a planta produz durante todo o ano.
Em relação a ocorrências de ventos de grande velocidade pode acarretar o tombamento e/ou quebramento de plantas.
Umidade relativa do ar para o coqueiro exige saturação do ar igual ou superior a 80% sem ultrapassar 90% as mínimas mensais não devem cair abaixo de 60%.
4.2. Exigências edáficas
O ideal é que o coqueiro seja cultivado em solos profundos, bem drenado, de textura média e se possível de boa fertilidade, de forma que possibilite um bom desenvolvimento do sistema radicular, visto que a planta não tolera condições de anaerobiose. Sendo que o pH ideal situa-se entre 6 e 6,5.
5. VARIEDADES
Dentre as variedades destacam-se a Gigante, híbridos e a Anã, sendo que a Anã apresenta três sub-variedades: Anã-Verde, Anã-amarela, Anã-Vermelha, e os cujas características são apresentadas na tabela 1.
Tabela 1: Principais diferenças entre as variedades de coqueiro.
O coqueiro é constituído de uma única espécie (Cocos nucifera), e pode ser dividido em três grupos:
• Gigantes
• Intermediários (híbridos)
• Anões
Cada grupo contém um número de variedades. As variedades são geralmente nomeadas de acordo com a sua suposta localidade de origem. As variedades gigantes apresentam de modo geral, fecundação cruzada; seu crescimento é rápido e fase vegetativa longa (cerca de sete anos). As principais variedades existentes no Brasil são:
• Coqueiro-Gigante o Gigante da Praia do Forte - GBrPF - Bahia o Gigante do Oeste Africano - GOA - Costa do Marfim o Gigante de Renell -GRL p; - Taiti o Gigante da Malásia - GML p; - Malásia
• Coqueiro-Anão o Amarelo-da-Malásia - AAM - Malásia o Vermelho-da-Malásia - AVM - Malásia o Vermelho-dos Camarões - AVC - República dos Camarões o Verde do Brasil - AVeB - Rio Grande do Norte o Amarelo do Brasil –AAB - Parraíba o Vermelho do Brasil -AVB - Paraíba
6. PROPAGAÇÃO
O coqueiro é propagado exclusivamente através de sementes, visto que o único ponto de crescimento encontra-se no meristema apical.
6.1. Produção de mudas
A muda pode ser produzida na propriedade ou adquiridas de viveiristas credenciados junto a CESM (Comissão Estadual de Sementes e Mudas) do estado produtor.
Quando a opção for por produzir a muda na propriedade, as sementes devem ser obtidas a partir de matrizes cadastradas junto a CESM. Uma vez obtida a semente, pode-se utilizar duas formas de condução da sementeira: semeadura direta ou semeadura com posterior repicagem para o viveiro.
Em qualquer das situações, a sementeira deve ter 1,0 m de largura e comprimento variando em função da disponibilidade de área e do número de mudas a serem produzidas, bem como estar localizada distante de áreas com coqueiros bem como de outras palmeiras, as quais poderão funcionar como hospedeiros de pragas e patógenos do coqueiro.
Quando a opção for pela semeadura direta, onde a muda deve permanecer por um tempo variando de dois a quatro meses após a germinação, deve-se utilizar uma densidade de 10 sementes por m² de sementeira. O período considerado para germinação vai até 120 dias após a semeadura. Após este período, deve-se proceder a eliminação das sementes não germinadas e descartes e incineração das plântulas que se apresentarem defeituosas, albinas, duplas, etc.
Após esta prática, e com objetivo de possibilitar um crescimento mais rápido e vigoroso das mudas, deve-se processar a adubação na sementeira, aplicando-se 75 g de uréia + 105 g de superfosfato simples + 50 g de cloreto de potássio por planta, devendo ser aplicado em três parcelas, com intervalo de aproximadamente 30 dias uma da outra.
Quando se optar pelo método de repicagem para o viveiro, deve-se empregar 25 sementes por m2 de sementeira. Quando a plântula atingir 15 cm de altura, a mesma deve ser repicada do germinadouro para o viveiro, onde as mesmas devem ser plantadas em covas medindo 40 cm x 40 cm 40 cm, e espaçadas de 60 cm x 60 cm x 60 cm em triângulo equilátero.
Como adubação deve-se empregar as mesmas doses recomendadas para o sistema de semeadura direta, só que a primeira aplicação deve ser realizada 30 dias após a repicagem, quando o novo sistema radicular se encontrará formado.
O tempo de permanência da muda no viveiro deve ser de quatro a seis meses, quando as mudas se encontram aptas a serem plantadas no local definitivo.
Além da adubação, deve-se manter as plantas sempre no limpo para se evitar a concorrência com as plantas invasoras, o controle de pragas e doenças, bem como a irrigação com aproximadamente seis litros de água por m2 de sementeira/viveiro por dia.
7. PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO DO POMAR
O pomar deve ser implantado após a realização de estudo prévio das potencialidades do mercado, bem como o destino da produção, ou seja, se irá produzir para indústria de coco seco, ou frutos para o consumo de água de coco. Caso a opção seja pela produção para indústria de processamento, deve-se cultivar o coqueiro gigante ou o híbrido entre anão x gigante, o qual apresenta frutos semelhantes ao gigante, porém com a vantagem de ser mais produtivo, isto é, produz em torno de 150 a 180 frutos /planta/ano, enquanto que o gigante produz no máximo de 60 a 80 frutos/planta ano.
Se a opção for pela a produção de frutos para o mercado de água de coco, deve-se empregar a variedade Anã-Verde, se for para o consumo "in natura", ou Anã-Verde e/ou Anã-Amarela se for para a indústria de água de coco em embalagem longa-vida.
7.1. Características da área
A área a ser utilizada para o cultivo do coqueiro deve ser plana ou com relevo moderado, próxima de fontes de água, em caso de utilização de irrigação, deve ser de fácil acesso para facilitar o escoamento da produção e afastada de estradas de muito movimento de pessoas para se evitar prejuízos por furtos e invasões.
7.2. Preparo da área
O preparo da área para o cultivo do coqueiro pode ser o mesmo empregado para o cultivo das demais culturas.

Durante o preparo da área para o plantio, deve-se proceder retirada de amostras do solo para análise físico-química, a qual servirá de subsídios para orientar as práticas de correção do solo e adubação, bem como dimensionar o sistema de irrigação.
Quando se verificar a necessidade da correção do solo, esta deverá ser feita através do uso de calcário dolomítico, quando se tratar de solos ácidos, que é a quase totalidade dos solos brasileiros. A calagem deve ser realizada distribuindo-se o calcário em toda a área, sendo 50% aplicado antes da aração e o restante antes da gradagem, devendo ser realizada com pelo menos 60 dias de antecedência do plantio da muda, porém é fundamental que haja umidade no solo para que o calcário reaja e surta o efeito esperado.
Após o preparo do solo, deve-se proceder a marcação e o piqueteamento da área para a posterior abertura das covas de plantio. O espaçamento a ser utilizado depende da variedade a ser cultivada. Se for a Gigante, o espaçamento deve ser de 9m x 9m x 9m, totalizando 143 plantas/ha. Se for a variedade Anã, este deve ser de 7,5m x 7,5m x 7,5m, totalizando 205 plantas/ha. No caso da opção pelo híbrido, deve-se usar o espaçamento de 8,5m x 8,5m x 8,5 m, totalizando 163 plantas/ha, todas arranjadas no esquema de triângulo equilátero.
Após o piqueteamento da área, procede-se a abertura das novas, as quais devem medir 80 cm x 80 cm x 80 cm. Estas poderão ser abertas através de ferramentas de uso manual ou de "brocas" acopladas à tomada de potência do trator.
Após a abertura das covas, deve-se efetuar o enchimento das mesmas através do emprego de 800 g de superfosfato simples + 20 litros de esterco de curral curtido + resíduo de da casca de coco ou outro material orgânico.
Figura 1 - Preparo da cova e plantio da muda do coqueiro. Fonte: Embrapa (1993).

O plantio deverá ser efetuado no início da estação chuvosa quando se tratar de cultivo de sequeiro ou em qualquer época do ano quando se utilizar irrigação.
Após o enchimento da cova, as mudas devem ser colocadas no centro da cova, em posição vertical, sendo cobertas por uma camada de solo suficiente para cobrir a semente, tendo-se o cuidado de não cobrir a região do colo da muda, para se evitar a proliferação de doenças causadas por fungos do solo 30 dias após o plantio deve ser aplicado em cobertura, 300g de uréia e 200g de cloreto de potássio por planta, distribuindo-se a mistura dos fertilizantes em torno da mesma, observando-se um raio de 20cm de distância.
8. CONDUÇÃO DO POMAR
O pomar deverá ser conduzido de forma técnica e racional para que se possa maximizar a produção de forma econômica e possibilitar retorno do investimento efetuado pelo produtor. Para que isto ocorra, algumas medidas deverão ser observadas.
8.1 Nutrição e adubação
Considerando-se que o coqueiro é uma planta que apresenta crescimento e produção contínuas e paralelas ao longo do ano, é de fundamental importância que estejam adequadamente nutridas para que possam manifestarem seu potencial produtivo. Com isto as práticas de calagem e adubação devem ser realizadas com base na análise química de amostras do solo em conjunto com a análise de folhas e com a idade da planta. A amostragem do solo deve ser realizada sempre sob a copa das plantas, na região do coroamento, quando se deseja recomendar adubação, e em toda a área quando se objetiva recomendar a calagem. As amostras de solo devem ser colhidas próximo do final da estação seca. A análise de amostras do solo servirão como indicadores do que está acontecendo no solo em função da observação do que está sendo absorvido pela planta em resposta as práticas de adubação que estão sendo efetuadas. Para que a folha a ser amostrada reflita o estado metabólico da planta, esta deve ocupar uma posição mediano na copa e geralmente são amostradas as folhas 4; 9 ou 14, dependendo da idade da planta. A folha n° 4 é utilizada apenas em plantas ainda jovens em início de produção. A folha n° 9 é empregada quando encontra-se com idade em torno de 5 a 6 anos, enquanto que a folha n° 14 é utilizada em plantas com idade superior a seis anos. A melhor forma para se identificar a folha é a partir da identificação da espata mais desenvolvida, ou seja, a inflorescência mais madura, porém que ainda não se encontra aberta, pois esta se situa na axila da folha nº 9. Como o coqueiro apresenta folhas afastadas com um ângulo em torno de 144º , a folha nº 4 se encontra imediatamente superior e no mesmo plano da folha nº 9, enquanto que a folha nº 14 encontra-se imediatamente inferior e no mesmo plano da folha nº 9. Após a identificação da folha a ser amostrada, toma-se uma amostra na porção mediana da folha e coleta-se três folíolos de cada lado da folha e retira-se uma porção de 10 cm na região central do limbo foliar de cada folíolo. Para uma boa representividade da área, são necessários amostrar 25 plantas/ha. Após a coleta das amostras, estas devem ser encaminhadas a um laboratório para que sejam realizadas as respectivas análises.
8.2 Calagem
O método recomendado para avaliar a necessidade de calagem baseia-se no trabalho de
Kamprath (1970), que preconiza a neutralização do alumínio trocável. No entanto, em razão das pequenas quantidades recomendadas, foi adicionado o critério de elevar o teor de Ca+ + Mg+2 para
20mmolc.dm-3 de solo. Outro método de avaliação de calagem e o de saturação por bases, que tem como premissa a relação entre a saturação e o pH. Para o calculo, utiliza-se a seguinte formula:
NC = CTC (V1 – V) em t/ha, onde:
NC = Necessidade de calagem; CTC = Capacidade de troca catiônica; V = Saturação atual de bases do solo; V1 = Saturação desejada de bases no solo; PRNT= Poder relativo de neutralização total do calcário a ser usado.
A analise foliar também é uma fonte importante, pois indica os teores de cálcio e magnésio, o que ajuda na definição da quantidade de calcário, se ele for usado como fonte supridora de cálcio e magnésio. Na cultura do coqueiro, a calagem pode ser efetuada em toda a área ou somente na projeção da copa. Se o alumínio estiver acima de 5mmolc.dm 3 de solo, a calagem devera ser efetuada na área toda, para reduzir a toxidez. Na hipótese de alumínio, cálcio e magnésio baixos, a calagem deve ser efetuada na área do circulo, que tem como centro o estipe e como limite a projeção da copa. Para aplicação na área total, deve-se levar em conta que os solos arenosos apresentam muito baixo poder- tampão. Nessas condições, a quantidade de calcário não deve ultrapassar 2 t.ha-1 . Nos dois métodos, a incorporação e importante, pois favorece as reações de dissolução do calcário. Quanto as quantidades a serem aplicadas na projeção da copa, ainda não se dispõe de dados que permitam recomendações generalizadas. Um fator importante é o período entre a calagem e a adubação, que deve ser de, no mínimo, 60 dias. Nessas condições, por um período, o pH pode-se elevar muito, o que favorecera a volatilização do N aplicado, a insolubilização do P e a lixiviação do K, pois grande parte das cargas negativas estará ocupada com cálcio e magnésio advindos do calcário.
8.3 Adubação
Quando não se tem acesso as informações de análise do solo, sugere-se proceder a adubação levando-se em consideração a idade da planta e as quantidades de fertilizantes apresentadas na Tabela 2.
Tabela 2: Quantidade de fertilizante recomendada.
A adubação do coqueiro deve ser efetuada na área do coroamento conforme figura. Em locais planos os fertilizantes devem ser aplicados e incorporados para evitar perdas de nitrogênio por volatilização, principalmente quando a fonte do nutriente fora a uréia. Em terrenos com declive, deve-se fazer um suco com aproximadamente 20cm a 30cm de largura e 5cm a 10cm de profundidade, aplicar o adubo e em seguida fechá-lo. É importante a utilização de matéria orgânica para melhorar as condições do solo, retenção de água.
Figura 2: Aplicação de fertilizante em coqueiro-anão e coqueiro-gigante. Fonte: Embrapa
9. TRATOS CULTURAIS
Compreende uma série de práticas agrícolas, com objetivo de minimizar o stress causado pela competição exercida pelas plantas daninhas, as quais concorrem com a planta por água e nutrientes do solo, devem ser realizadas com o coqueiro ainda na fase jovem, as quais serão discutidas a seguir.
Deve ser realizada nas entrelinhas, de forma a manter a cobertura do solo o tempo todo, e assim amenizar as perdas de água por evaporação, bem como minimizar as perdas de solo por erosão. Deve ser realizada duas vezes durante o ano, sendo a primeira no início da estação chuvosa e a segunda no final do período de chuvas.
9.2. Gradagem
Deve ser realizada apenas quando for necessário proceder a calagem. A alternância entre a gradagem no inicio do período seco e a roçagem na estação chuvosa apresenta grande vantagem para o produtor e para o meio ambiente, já que, a gradagem no inicio do período seco induz a queda de capilaridade no solo, ocasionando a morte de gramíneas.
9.3. Coroamento
É uma prática que tem por objetivo manter a região de maior concentração de raízes responsáveis pela absorção de água e nutrientes livre da concorrência com as ervas-daninhas. Deve ser realizada mantendo-se um raio de dois metros de distância do caule totalmente sem competição com o mato.
9.4. Irrigação
Regiões com grandes períodos de estiagem e em função da disponibilidade de recursos por parte do produtor deve-se proceder a irrigação através do método de micro-aspersão, onde a quantidade de água a ser aplicada varia em função das características de clima e do solo da região. Em média, um coqueiro adulto exige em torno de 150 litros de água por dia.
Irrigação localizada por microasperção em coqueiro. 
10. CONSORCIAÇÃO COM COQUEIRO
Ao se optar pelo consórcio com a cultura do coqueiro-anão-verde, deve-se considerar que a cultura é muito vulnerável a pragas e doenças e que os plantios no litoral têm melhor desenvolvimento vegetativo e reprodutivo.
O consórcio com a cultura do coqueiro é prática recomendável para pequenos produtores, que não têm como suportar investimentos sem retorno no período do plantio à produção (em torno de três anos e meio). O emprego de culturas intercalares de ciclo curto e perenes, portanto, é indicado para amenizar custos e bem adequado ao coqueiro, que tem espaçamento amplo.
Nos quatro primeiros anos, a consorciação apresenta viabilidade técnica e econômica, proporcionando maior desenvolvimento do coqueiro e cobrindo os custos de produção nos anos que antecedem o início da fase produtiva. Os tratos culturais dispensados à cultura consorciada, o sombreamento do solo, a maior reciclagem de nutrientes e ó aumento do teor de matéria orgânica favorecem o desenvolvimento dos coqueiros.
Culturas intercalares que podem ser consorciadas com o coqueiro: até um ano e meio, consorciar com feijão, abóbora, melancia, quiabo, maxixe, abacaxi. Nos anos seguintes, consorciar com inhame, batata, milho, amendoim, mandioca, aspargos, mamão e maracujá. Para realizar o consórcio em aléias, as culturas recomendadas são: café, acerola, pinha, pitanga, pimenta-do-reino, cupuaçu e cacau.
Dos 4 aos 20 anos, o sombreamento do solo promovido pelas plantas do coqueiral não permitem a introdução de culturas em consórcio com resultados econômicos satisfatórios. A partir dos 20 anos, a elevação do fuste do pomar permite o consórcio com plantas umbrófílas, como o cacau e a pimenta-doreino.
Em regiões com déficit hídrico elevado, deve-se dar preferência ao consórcio com culturas de ciclo curto por ocasião do período chuvoso. Com culturas de ciclo longo, deve-se levar em consideração a distribuição do sistema radicular; as exigências nutricionais e a tolerância à seca, tendo-se sempre o cuidado de reduzir ao mínimo a competição entre o coqueiro e a planta consorciada.
Mesmo em áreas irrigadas, deve-se modificar o sistema tradicional de plantio em triângulo para retângulo ou quadrado com o objetivo de proporcionar aumento de luminosidade.
O plantio deve ser realizado em faixas no centro das entrelinhas, utilizando-se a área total e mantendo-se livre a zona de coroamento, que corresponde, em média, a 2m de raio a partir do coleto da planta.
Em suma, o consórcio melhora a qualidade do solo e evita a erosão, embora aumente os custos de produção. Culturas mal manejadas poderão sofrer maiores problemas fítossanitários.
A melhor experiência agronômica e econômica do consórcio foi com coco-verde e cupuaçu.
Na definição do que plantar deve-se optar por culturas que tenham bom valor de mercado local. Deve-se ter o cuidado de não utilizar no consórcio plantas da mesma família botânica do coqueiro.
10.1. Utilização de restos de culturas
Folhas e outros restos da cultura, que tendem a se acumular no campo após cada colheita, não devem ser queimados, pois constituem fonte de matéria orgânica e facilitam a multiplicação da microvida do solo. O material deve ser afastado da zona de coroamento do coqueiro para permitir a trituração com roçadeira. A permanência deste material na zona de coroamento dificulta os trabalhos de adubação e, em alguns casos, provoca a superfícialização do sistema radicular. Pode-se efetuar, também, o amontoamento das folhas no centro da entrelinha (linhas alternadas a cada ano).
10.2. Coroamento do coqueiro
Deve ser realizado devido à infestação das plantas daninhas, independentemente do manejo empregado. O tamanho da coroa varia com a idade da planta, devendo acompanhar a projeção da copa, atingindo, aproximadamente, 2 m de raio no coqueiro adulto.
• Coroamento químico: realizado com produtos de ação sistêmica, aplicados em pósemergência quando as ervas se encontrarem no estádio de pré-floração. O Glyphosate tem sido o produto mais utilizado e o que tem apresentado os melhores resultados (é sistêmico, porém não é residual).
• Coroamento manual: o revolvimento do solo e o corte parcial das radicelas provocado pela enxada proporcionam novas emissões de raízes, beneficiando o coqueiro.
No período seco, o material poderá permanecer na zona de coroamento, devendo ser incorporado ao solo. No período úmido, deve ser feito o revolvimento, afastando-se a vegetação posteriormente para se evitar o arrastamento de fertilizantes e a rebrota de plantas daninhas.
Uma gradagem junto ao estipe do coqueiro pode ser feita para substituir o coroamento manual e/ou incorporar fertilizantes.
10.3. Associação animais-coqueiro
Nos sistemas agrossilvopastoris, deve-se optar pelo plantio nas conformações quadrada ou retangular, fazendo-se uso da Gliricídia e da Leucena em associação com ruminantes e promovendo a reciclagem de nutrientes.
Vantagens: a) aumento da receita dos sistemas de produção; b) redução da competição da vegetação e dos custos com o seu controle; c) uso mais efetivo do solo; d) aumento da produção de alimentos (carne, leite, etc); e) produção de esterco para melhoria da fertilidade, estrutura e capacidade de retenção da umidade do solo; f) aumento do rendimento da colheita do coco; g) aumento da produção do coco (eventualmente).
Desvantagens: a) danos causados pêlos animais ao coqueiro jovem; b) competição entre pastagens e coqueiros por nutrientes e umidade; c) compactação do solo (dependendo da textura do solo e da taxa de lotação); d) erosão e perda de fertilidade com o superpastejo (topografia acidentada); e) maior requerimento de capital para as duas atividades; í) necessidade de maior habilidade para manejo das duas atividades.
1. PRAGAS
Existem cerca de 579 pragas que atacam o coqueiro em todo o Mundo. Entretanto, dentre as pragas que atacam o coqueiro no Brasil, as que apresentam-se em maior freqüência e com prejuízos significativos, destacam-se as coleobrocas, dentre estas, a broca-do-olho (Rhinchophorus palmarum ) e a broca-do-estipe (Rhinostomus barbirostris ); a traça da inflorescência (Hyalospila ptychis); o ácaro (Eriophyes guerreronis); as lagartas-das-folhas (Brassolis sophoroe e Automeris sp), além das formigas cortadeiras, durante os três primeiros anos do plantio.
1.1 Broca-do-olho do coqueiro

Adulto de Rhinchophorus palmarum Fonte: Embrapa
O adulto é um besouro de cor preta
(Rhinchophorus palmarum), medindo de 4,5 a 6,0 cm de comprimento, possuindo um "rostro" comprido e recurvado, recoberto por pelos pretos na parte superior, nos machos.
A fêmea põe os ovos no 'olho' da planta, com um total de aproximadamente 250 ovos. Os ovos dão origem a lagartas brancas que medem cerca de 7,5 cm de comprimento. As lagartas se alimentam da parte interna do tronco, destruindo o meristema apical da planta e provocando a morte do coqueiro.
Controle: Como o controle químico é caro e de difícil aplicação em virtude do porte do coqueiro, sugere-se o emprego de um controle cultural preventivo através da eliminação das plantas atacadas e do monitoramento da praga com o emprego de iscas atrativas para a broca-doolho, através do emprego de baldes de 20 litros, com funil acoplado na tampa, e colocando-se no seu interior, pedaços da planta de coqueiro, ou porções de cana-de-açúcar, mais melaço na proporção de um litro de melaço para quatro litros de água, com objetivo de se manter a isca sempre úmida, a qual atrairá o inseto para a armadilha. A cada 15 dias deve se proceder a substituição da isca, bem como destruir os insetos capturados.
Adulto de Rhinostomus barbirostris Fonte: Embrapa
O adulto é um besouro preto (Rhinostomus barbirostris), medindo de 1,1 a 5,3 cm comprimento, com rostro recoberto por pelos avermelhados.
A fêmea difere do macho por apresentar rostro mais curto e sem pelos. A fêmea põe os ovos no tronco do coqueiro, onde faz perfurações com o rostro, coloca os ovos e posteriormente os cobre com uma camada cerosa para protegê-los do ressecamento. Dos ovos surgem lagartas de cor esbranquiçada que podem atingir até 5 cm de comprimento.
Após o nascimento, as lagartas penetram no tronco, e destroem os sistemas vasculares da planta, formando galerias, que aumenta de diâmetro a medida que a lagarta cresce. Quando o ataque é intenso e ocorre próximo a copa do coqueiro, pode ocorrer a quebra do estipe pela ação de ventos fortes. Mesmo que não haja a quebra da planta, poderá ocorrer uma redução na capacidade produtiva em até 75%.
Controle: Em função das dificuldades de controle químico, como mencionado para a broca-do-olho, sugere-se o controle através de inspeções constantes e periódicas no coqueiral visando detectar a postura e raspá-las com facão para destruir os ovos.
1.3. Barata-do-coqueiro
Adultos de Mecistomela margarita Fonte: Embrapa
O adulto é um besouro de aproximadamente 2,5 cm, de coloração escura (Mecistomela margarita), tendo as margens dos élitros de cor amarela, com as patas e antenaspretas. A larva danifica as folhas novas e ainda fechadas que, ao abrirem, são defeituosas e irregulares, atrasando o desenvolvimento da planta. Nota-se, também, a presença de excrementos parecidos com serragem de madeira acumulados na axila da folha central.
O controle: é feito através de pulverização à base de endossulfan a 0,05%, trichiorfon a 0,15%, methil parathion a 0,06% ou carbaryl a 0,12%, que reduz a população da praga em mais de 90% com apenas uma pulverização. Se os coqueiros forem baixos e a incidência da praga for pequena, é possível coletar as larvas da barata manualmente, usando-se um pequeno ferro, com aproximadamente 20 cm, em forma de anzol.
1.4. Gorgulho das flores e frutos
O adulto é um pequeno besouro castanho (Parísoschoenus obesuius) medindo 3 cm . Os estragos são provocados pela pequena larva branca de cabeça castanho-escuro, que se desenvolve no interior das flores e pequenos frutos, formando inúmeras galerias e provocando a queda prematura dos frutos.
O controle cultural consiste na coleta manual dos frutos atacados caídos no solo e dos que ainda se encontram presos nas inflorescências, que devem ser queimados. O controle químico é feito através de pulverização com inseticidas que tenham a propriedade de agir por contato e penetração. As pulverizações deverão ser dirigidas para as inflorescências recém-abertas e efetuadas quando as perdas tiverem expressão econômica, isto é, ataque que represente 20%.
1.5. Ácaro da necrose do coqueiro
Dano causado pelo Eriophyes guerreronis no fruto Fonte: Embrapa
Normalmente o ácaro (Eriophyes guerreronis) desenvolve-se sob as brácteas dos cocos novos, sugando a seiva da epiderme e provoca cloroses que se estendem longitudinalmente por todo o fruto. Posteriormente a área danificada torna-se marrom escura, com aspectos ásperos e freqüentemente apresentando rachaduras. Os frutos danificados se deformam, perdem peso e às vezes caem antes de atingir o ponto ideal colheita, além de tornar os frutos pouco atrativos para o consumidor de "coco-verde".
Controle: Em função dos ácaros se encontrarem protegidos pelas brácteas dos frutos, o controle através produtos químicos de ação por contato fica comprometido, podendo ser usado apenas produtos de ação sistêmica. Entretanto estes produtos não devem ser recomendados uma vez que estes deixam resíduos nos frutos.
1.6. Traça da inflorescência
O adulto é uma mariposa pequena ( Hiolospila ptychis), a qual faz a postura na inflorescência. Dos ovos surgem lagartas brancas, com pigmento no dorso e cabeça amarelada. As lagartas desenvolvemse nas inflorescências recém abertas do coqueiro, danificando os carpelos da flores femininas e perfurando os cocos novos na região das brácteas e instalando-se sob as mesmas onde se alimenta dos tecidos e abre galerias, e provocando a queda dos frutos atacados ainda pequenos.
Controle: sugere-se proceder a eliminação das inflorescências atacadas pela traça e queimá-las, como forma de diminuir a fonte de inoculo, visto que o controle químico não deve ser empregado, uma vez que seria necessário se fazer o emprego de inseticidas sistêmicos, os quais podem se tornar uma ameaça a saúde do consumidor, considerando-se que a água é consumida naturalmente.
1.7. Lagarta das folhas
Lagartas de Brassolis sophoroe. Fonte: Embrapa
O adulto é uma borboleta grande
(Brassolis sophoroe) medindo de 6 a 10 cm, de hábito diurno, a qual faz a postura na base do pecíolo das folhas e folíolos. As lagartas surgidas dos ovos chegam a medir de 6 a 8 cm de comprimento, cabeça avermelhada e listras longitudinais marrom-escura no dorso. As lagartas fazem ninhos unindo vários folíolos com fio de seda no interior onde passam o dia e só saem a noite para se alimentar. Alimentam-se do limbo foliar dos folíolos, provocando o desfolhamento total das plantas.
Controle: sugere-se a derrubada das lagartas com o emprego de varas e destruição mecânica das mesmas.
As formigas saúvas causam sérios danos nos três primeiros anos de plantio da muda bem como no viveiro, podendo levar a um desfolhamento total da planta.
Controle: devem ser controladas com o emprego de formicidas adequados, tendo-se o cuidado de controlar os formigueiros tanto dentro quanto fora da propriedade.
Sintoma em “V” da queima-das-folhas. Fonte: Embrapa
12. DOENÇAS
Dentre as doenças, destacam -se como de maior importância o anel-vermelho do coqueiro
(Bursaphelenchus cocophilus); a lixa pequena ou verrugose do coqueiro (Phyllachora torrendiella); mancha foliar ou Helmintosporiose (Dreschlera incurvata) e a qeima-das-folhas ( botryosphaeria cocogena).
12.1. Queima-das-folhas -Botryosphaeria cocogena
A doença se manifesta nas folhas inferiores da planta, a partir de um ano e seis meses do cultivo no campo. Nos folíolos, os sintomas se caracterizam por manchas marrom-avermelhado que se localizam na extremidade, margem ou meio dos folíolos, desenvolvendo-se em direção ao raquis. Freqüentemente, os sintomas se desenvolvem a partir da extremidade da folha, provocando, no início, lesões em forma de V.
A doença provoca o empodrecimento, o ressecamento e a morte prematura das folhas que servem de apoio aos cachos que acabam pendurados ou se quebrando e caindo antes de os cocos completarem a sua maturação. Determina, ainda, a redução foliar, com expressiva queda na produtividade.
Ainda não foram detectadas variedades resistentes à doença. As menos susceptíveis são: PB 141, AV e J e AVC, GPY, Como medida de controle preventivo, recomenda-se a remoção e a queima das folhas mortas. O vento é um meio de disseminação do fungo.
O controle químico é feito com 6 a 8 pulverizações (através do pulverizador motorizado) com
Benomyl (0,1%) + Carbendazim (0,1%) i.a. (solventes químicos diferentes) em intervalos de 14 dias, gastando-se dois a três litros da solução por planta em coqueiros jovens ou já em produção e com até 6 metros de altura. O tamanho da lesão está correlacionado positivamente com o estresse hídrico.
12.2. Lixa-pequena ou verrugose do coqueiro - Phyllachora torrendiella
A doença é caracterizada por pequenos pontos negros (verrugas) que ocorrem por todas as áreas dos folíolos, raquis e frutos do coqueiro. O fungo provoca a necrose das folhas inferiores, que secam prematuramente. Quando o ataque é severo, os cachos ficam totalmente sem suporte, prejudicando a produção.
O controle biológico é feito com os fungos
Acremonium sp, Septofusídium eïegantyïum, Cladosporium cladosporioides, Penicillium sp, Curvularia sp e Pestalotia sp.
Lixa pequena em coqueiro Fonte: Embrapa
12.3 Lixa-grande -Spareodothis acrocomiae
A doença se manifesta sobre o limbo, nervura dos folíolos e raquis foliar, com grossos peritécios de coloração marrom, que podem atingir até 2mm de diâmetro. Os estremas desse fungo soltam-se facilmente, ao contrário dos estremas da lixapequena.
O controle biológico é feito como o da Lixapequena. Estas duas doenças são consideradas portas de entrada para o agente da Queima-dasfolhas. A adubação mineral tem efeito sobre a incidência da lixa no primeiro ano de plantio. A presença de nitrogênio e/ou de fósforo proporcionam menor incidência da doença que, na presença de K, é mais severa.
Lixa-grande no raquis da folha do coqueiro. Fonte: Embrapa

12.4. Anel-vermelho - Bursaphelenchus cocophilus
Sintomas internos da doença anel-vermelho Fonte: Embrapa
Em estádio avançado da doença, as copas das palmeiras ficam com aspecto amarelo-ouro, com exceção de um tufo central de folhas verdes que, finalmente, dobra-se e seca, ocorrendo então a morte da planta. Não se observa queda de frutos e de inflorescências. Efetuando-se um corte transversal do estipe, verifica-se um anel vermelho de 2 a 4cm de largura e a 3-5cm da periferia.
O nematóide causador da doença é vetoriado pelo R. palmarum ou através das raízes. O controle é feito com a erradicação das plantas afetadas e a utilização de iscas atrativas para o vetor. Deve-se também evitar o corte excessivo das folhas funcionais.
Ferramentas utilizadas no corte de plantas atacadas devem ser limpas antes de serem utilizadas em plantas sadias. As armadilhas com iscas atrativas devem ser dispostas ao redor do plantio e as iscas devem ser trocadas a cada 7- 15 dias.
12.5. Murcha-de-phytomonas -Phytomonas sp.
Inflorescência com ataque de Murcha-dephytomonas

Fonte: Embrapa
A doença começa pelo amarelecimento e depois empardecimento dos folíolos terminais das folhas mais baixas, evoluindo da extremidade para a base da Inflorescência com ataque de Murchade-phytomonas
Antes da folhagem tornar-se completamente marrom, a podridão flecha já alcançou o meristema central da folha e das folhas inferiores para as mais altas, ocorrendo ressecamento generalizado em torno de 4 a 6 semanas.
O controle da doença é feito pela eliminação dos coqueiros doentes. As coroas devem ser mantidas limpas, principalmente em locais mais úmidos.
Efetuando-se o controle das plantas de cobertura. Os insetos vetores devem receber combate sistemático usando-se Deltametrina à razão de 2g i.a. /litro {Lincus spp) e Thiodan para o Ochierus. Sugerem-se, ainda, pulverizações com Monocrotophos à base de 20ml/100 litros de água, que não afeiam a emergência de microhimenópteros parasitóides de Lincus spp.
A roçagem mecânica expõe as formas adultas do inseto à radiação solar. Podem ser utilizados inseticidas sistêmicos através da raiz do coqueiro (Azodrin ou Nuvacron). O Monocrotophos (acaricida) aplicado a cada 3 meses age por fumigação e contato.
12.6. Mancha Foliar ou Helmintosporiose -Dreschslera incurvata
Pequenas lesões nas folhas do coqueiro, de forma elíptica e alongada, de cor marrom com halo amarelo-ouro. A doença se desenvolve, inicialmente, nas folhas inferiores, progredindo para a parte superior da planta.
O controle da doença no viveiro e em plantas com até 5 anos é feito através de adubação balanceada, sem excesso de nitrogênio. Nos primeiros casos da doença, a utilização de Maneb a 2% i.a. ou outro fungicida de contato garante controle adequado. Pode-se utilizar, também, Dithane M 45 ou Captan (Score, Folicur). Outro cuidado recomendado é a eliminação de ervas daninhas.
12.7. Podridão Seca (agente causador desconhecido)

Aspecto interno da podridão seca Fonte: Embrapa
Pequenas manchas esbranquiçadas, isoladas ou em cadeias, localizadas na flecha ou na folha recémaberta, são as primeiras manifestações da doença, podendo ocorrer, também, a paralisação do crescimento da planta. Em etapa mais avançada, a folha central da planta fica totalmente seca. Simultaneamente ao desenvolvimento dos sintomas nas folhas, aparecem no coleto lesões internas, marrons, com aparência de cortiça. Todas as folhas secam, já que a podridão alcança o meristema central. Para controlar a doença, recomenda-se o consórcio com leguminosas; a eliminação de gramíneas e insetos através do Aldicarb e a aplicação de injeção de 50ml de Oxitetraciclina abaixo do meristema.
13. COLHEITA E COMERCIALIZAÇÃO
O ponto de colheita do coco depende da variedade cultivada e do destino da produção. Para as variedades Gigantes e híbridas, onde o fruto é comercializado seco para a indústria de processamento, o coco encontra-se no ponto de colheita aos 1 - 12 meses após a abertura da inflorescência. No caso do coqueiro-anão, onde o fruto é destinado basicamente para o mercado de coco-verde, em função do consumo da água, os frutos devem ser colhidos com idade variando entre oito e nove meses após a abertura da inflorescência, quando a água se encontra com o sabor mais agradável.
Os frutos são colhidos através do corte do cacho com um golpe de facão, tendo-se o cuidado de amarrá-lo com uma corda e segurá-la para diminuir o impacto dos frutos com o solo, quando o coqueiro se encontrar alto e assim reduzir a perda de frutos por rachaduras, no caso do coco-verde.
O coco-verde é comercializado em cachos ou a granel, devendo ser mantidos protegidos do sol, de forma que sua longevidade não seja afetada.
Na maioria dos casos, a comercialização ocorre através de agentes intermediários, os quais se responsabilizam pela colheita e sua despesa, podendo ser também comercializados em feiras-livre; Centrais de abastecimento; lanchonetes, etc.
Com o aperfeiçoamento do sistema de embalagem por parte da industria, surgem grandes perspectivas de se aumentar a demanda por coco-verde por parte da indústria, de forma que pode tornar-se possível a realização de contratos de fornecimento de coco-verde entre produtores e indústria, de forma que o produtor possa obter melhores preços que os obtidos pela venda aos intermediários.
Na propriedade o coco-verde atinge um preço médio variando de R$0,20 a R$0,40, dependendo da época do ano e do volume de produção, bem como do mercado ao qual se destina o produto.
O coco seco é comercializado a granel, sem casca, e geralmente é intermediado por terceiros, os quais repassam para a indústria de processamento.
13.1. Estimativa de produção
Considerando-se que o coqueiro anão emite uma inflorescência a intervalos médios de 21 dias, e consequentemente a planta emite em média, de 15 a 17 cachos/mês, de forma que possibilita se obter produção durante o ano todo.
Considerando-se um bom nível de manejo empregado no cultivo e a idade da planta, a produtividade é estimada conforme o quadro 5.
Quadro 5: Produção estimada por planta/ano com irrigação convencional por aspersão e irrigação
localizada na cultura do coqueiro-anão-verde.
(anos) Aspersão Localizada
Fonte: PESAGRO-RIO ∗ Os dados do quarto ano com irrigação localizada foram coletados na área de Quissamã-RJ.
∗ Os dados do quinto ano com irrigação por aspersão foram obtidos na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais e referem-se ao semi-árido mineiro e a coqueiral com três anos e meio de implantação.
∗ Os dados do sexto ao décimo ano foram estimados.
14. INDUSTRIALIZAÇÃO
O coco-anão leva vantagens em relação ao coco-da-praia no que se refere ao rendimento em água.
Quadro 6: Comparação entre o coco anão e o coco-da-praia no que se refere ao rendimento em água.
Fonte: PESAGRO-RIO
Este aspecto deve ser considerado, pois já se encontra no mercado água de coco engarrafada ou em outros tipos de embalagens, principalmente no mercado da Grande São Paulo.
No Rio de Janeiro, encontra-se água de coco importada das Filipinas a R$ 0,92 a caixinha. Devese ressaltar que se tratam de subprodutos da indústria da compra do coco para fins de produção de óleo, sendo água de coco do tipo coco-da-praia ou de plantas híbridas, com características organolépticas distintas e inferiores às da água do coco-anão-verde.
O consumo atual de água de coco é de 119.700 litros/ano, o que equivale a 1,3% do consumo de refrigerantes no Brasil. A meta a atingir é de 5% do consumo anual de refrigerantes.
A água e a polpa do coco-verde têm, atualmente, excelente mercado, sendo que, as indústrias padronizam a água comercializada com 60% procedente de coco-verde e 40% de coco amadurecido.
15. CUSTOS E RENTABILIDADE
O coqueiro é uma cultura de custo relativamente baixo, em torno de R$ 4,0 / planta/ano. Quando bem manejada, o custo unitário do fruto gira em torno de R$ 0,02; R$ 0,04 e R$ 0,07 para os frutos das variedades Anã, Híbrido e Gigante respectivamente, enquanto que o valor médio recebido pelo produtor na comercialização gira em torno de R$ 0,25 tanto para o coco-verde quanto para o coco-seco.
Para ler em tela cheia é só clicar nas duas setinhas invertidas embaixo e à direita do Slide.