domingo, 28 de maio de 2017

Produção e obtenção de mudas de Coco (coqueiro)

Produção e obtenção de mudas

Humberto Rollemberg Fontes
Grande parte do coqueiral atualmente existente no Brasil é constituído da variedade Gigante, o qual se encontra distribuído ao longo da faixa litorânea do Nordeste, onde os plantios foram realizados utilizando-se as sementes diretamente no solo, ou mesmo a partir de mudas germinadas no campo sem nenhum critério de seleção. Embora em alguns casos estas práticas ainda persistam, passou-se a adotar nos plantios mais novos o sistema de produção de mudas com a utilização de germinadouro e viveiro utilizando-se o método de raízes nuas. Outro método empregado é o de produção de mudas em sacos plásticos, restrito a alguns grandes produtores, em função dos seus maiores custos operacionais e de transporte. Atualmente, a produção de mudas de coqueiros no Brasil é realizada, predominantemente, em germinadouro, utilizando-se mudas mais jovens e produzidas em menor espaço de tempo, onde as sementes germinadas são repicadas diretamente para o campo, sem passar pela fase de viveiro. A descrição das práticas utilizadas, assim como as vantagens e desvantagens dos sistemas utilizados, serão apresentadas a seguir.

Sistema tradicional de produção de mudas

As mudas produzidas pelo sistema tradicional passam por duas fases: germinadouro e viveiro. O germinadouro tem como objetivo selecionar o material antes de ser transferido para o viveiro. Baseia-se, principalmente, no critério de velocidade de germinação das sementes, eliminando-se também mudas raquíticas e mal formadas. O viveiro constitui-se na fase posterior onde as plantas são selecionadas de acordo com o seu vigor e estado fitossanitário.
Germinadouro
Os canteiros devem ser preparados com 1,0 m a 1,5 m de largura com comprimento variável de acordo com o número de sementes, separados entre si por corredores de 0,5 m a 1,0 m de largura para facilitar a execução dos tratos culturais. Deve-se dar preferência à utilização de solos de textura franco-arenosa, que apresentem boa profundidade de forma a evitar acúmulo de água na superfície. Para cada m² de canteiro, podem ser colocadas, aproximadamente 20 a 25 sementes para coqueiro-gigante e 25 a 30 para o coqueiro-anão, distribuídas horizontalmente uma ao lado da outra e cobertas com solo até aproximadamente 2/3 da altura da semente. A opção pela distribuição das sementes na posição vertical, além de possibilitar aumento da densidade de plantio no germinadouro, pode diminuir as perdas observadas durante o arranquio e transporte das mudas, em função da redução do índice de quebra do coleto, normalmente observado nos sistemas em que se utilizam as sementes na posição horizontal.  
A irrigação do germinadouro é de fundamental importância para acelerar a velocidade de germinação das sementes. A necessidade de água nesta fase é de seis a sete mm/dia, ou seja, seis a sete litros de água/m², que corresponde a, no mínimo, 60.000 a 70.000 litros/água/ha/dia. O material a ser transferido para o viveiro deve apresentar uma só brotação, com altura em torno de 15 a 20 cm. Devem-se eliminar plantas raquíticas com limbo reduzido, albinas, ou que apresentem poliembrionia (formação de mais de uma muda por semente). Após o arranquio das plântulas, procede-se à poda total das raízes antes da repicagem para o viveiro. É importante salientar que, sementes não germinadas até 120 dias, devem ser descartadas, uma vez que a velocidade de germinação está diretamente correlacionada com a precocidade de produção da planta.
A utilização de cobertura morta à base de fibras de cascas de coco e/ou palhada em geral, constitui-se numa prática recomendável uma vez que favorece o controle de plantas daninhas e aumenta a conservação de umidade do solo. Esta prática, protege também as plântulas em fase inicial de germinação, principalmente em se tratando de solos muito arenosos, onde é comum a ocorrência de queima da brotação da plântula em contato direto com a areia.
Viveiro
Na fase de viveiro, as mudas oriundas do germinadouro são plantadas obedecendo a um espaçamento de 60 cm x 60 cm x 60 cm em triângulo equilátero (31.944 mudas/ha). Recomenda-se o plantio de 80 cm x 80 cm x 80 cm (17.968 mudas/ha) se as mudas forem permanecer no viveiro por um período superior a seis meses, evitando-se, assim, problema de estiolamento (alongamento do caule em condições de sombreamento parcial ou não). A repicagem das sementes germinadas para o viveiro deve ser realizada quando as plantas apresentam em torno de 20 cm, sendo o plantio realizado mantendo-se o coleto da planta ao nível do solo. A irrigação do viveiro constitui-se em fator de fundamental importância para acelerar o desenvolvimento da muda, sendo a quantidade de água aplicada equivalente àquela recomendada para a fase de germinadouro, mantendo-se o turno de rega durante o início da manhã e final da tarde.
Um mês após a repicagem do germinadouro para o viveiro, as novas raízes emitidas estarão aptas para absorver os elementos nutritivos contidos no solo. Recomenda-se a utilização de 200 g por planta da formulação 15-10-15, fracionada, de acordo com a idade da planta. No primeiro mês, utiliza-se 30 g; no terceiro, 100 g e no quinto mês, 70 g da mistura por planta.
No viveiro, as sementes germinadas devem ser plantadas obedecendo ao método de raízes nuas, ou utilizando-se a técnica de produção de mudas em sacos plásticos. Em ambos os casos, as mudas passam aproximadamente 6 a 8 meses no viveiro, período este que somado à fase de germinadouro (4 meses) corresponderia a aproximadamente um ano para produção da muda. As vantagens do uso do saco plástico em relação ao sistema em raízes nuas, são atribuídas ao aumento da precocidade de produção, à supressão do choque durante o transplante para o campo, melhor utilização da adubação mineral e a possibilidade de transporte das mudas com maior antecedência para o local de plantio. A grande desvantagem deste método diz respeito à elevação dos custos de produção, principalmente em relação às necessidades de irrigação e limpeza do viveiro. O custo de transporte das mudas eleva-se substancialmente, sendo recomendada a sua utilização apenas quando o viveiro está localizado próximo ao local de plantio definitivo. Deve-se observar ainda que, em áreas não irrigadas e que apresentam déficit hídrico elevado, o plantio de mudas mais desenvolvidas obtidas quando se utiliza as fase de germinadouro e viveiro, apresentam maior índice de perda em campo, principalmente quando há ocorrência de déficits hídricos ou mesmo redução e/ou atraso do período chuvoso.
Os sacos plásticos devem ser de polietileno preto, com 0,2 mm de espessura e dimensões de 40 cm x 40 cm x 40 cm para sementes do coqueiro-anão e dos híbridos, e 60 cm x 60 cm x 60 cm para o coqueiro-gigante, perfurados na metade inferior, para permitir a drenagem da água em excesso. Devem ser cheios até 2/3 com solo de superfície, devidamente peneirado e enriquecido com matéria orgânica. As plântulas são colocadas nos sacos e distribuídas no viveiro ao lado de cada piquete, obedecendo ao mesmo sentido e posicionamento.

Sistema alternativo de produção de mudas

O sistema alternativo utiliza apenas a fase de germinadouro, onde as mudas produzidas são transplantadas diretamente para o campo sem passar pela fase de viveiro. Quando se utiliza a disposição horizontal das sementes no germinadouro, a recomendação é que seja reduzida a densidade de plantio de 30 para 15 a 20 sementes/m2, possibilitando assim que as sementes germinadas permaneçam no germinadouro até, aproximadamente, seis meses de idade, quando apresentam em média três a quatro folhas vivas, sem comprometimento do seu desenvolvimento. Diferentemente do sistema tradicional, em que as sementes germinadas são repicadas para o viveiro à medida que as plântulas alcançam desenvolvimento adequado, neste caso, as sementes germinadas são transplantadas diretamente para o campo sem passar, portanto, pela fase de viveiro. Além do menor custo em função do menor tempo para a obtenção da muda, o sistema alternativo apresenta as seguintes vantagens: maior índice de pega no campo, em função da maior disponibilidade de reservas no endosperma da semente; menor transpiração decorrente da redução da área foliar; maior facilidade de transporte; eliminação da fase de viveiro e, consequentemente, redução do estresse da planta causado pela poda das raízes. Quando se utiliza as sementes na posição vertical, além do aumento da densidade de plantio, pode-se reduzir ainda os custos de abertura dos germinadouros. Neste caso, a abertura das covas para colocação de cada semente, utilizando-se um cavador manual obedecendo à densidade de plantio previamente estabelecida. A grande desvantagem deste método está relacionada com a limitação do tempo de permanência das mudas no germinadouro/viveiro, uma vez que poderá ocorrer autossombreamento e, consequentemente, estiolamento das mudas quando estas ultrapassam a fase ideal de plantio. Nesse caso, seria recomendável transplantar todo o material para um viveiro, sob pena de comprometer a qualidade final da muda. O maior sombreamento e a umidade poderão também, propiciar condições favoráveis para o aparecimento da Helmintosporiose.
A área do viveiro deve ser mantida livre de ervas daninhas principalmente gramíneas, por serem consideradas plantas hospedeiras de insetos vetores de doenças como podridão-seca-do-olho do coqueiro. A limpeza da área deve ser realizada regularmente inclusive na área externa, abrangendo uma faixa mínima de 10 m. Devem ser observados os mesmos cuidados recomendados para o sistema tradicional relacionados com a irrigação e conservação de umidade, como a cobertura morta, a eliminação das plantas daninhas e a realização de tratos fitossanitários. A adubação recomendada neste caso é de, aproximadamente, 80 g da formulação 15-10-15 por planta, fracionada em duas a três aplicações, entre o terceiro e quinto mês após a instalação do germinadouro. Em função do pouco tempo de permanência das mudas no germinadouro e a depender do estágio de desenvolvimento das mudas, pode-se dispensar a adubação nesta fase, compensando a mesma na fase de campo após a realização do transplantio.




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Produção de sementes de Coqueiro


Produção de sementes

Atualmente, as principais demandas de sementes para implantação de áreas com coqueiro no Brasil, são de anão-verde e do híbrido intervarietal anão x gigante. Para atender a essas demandas, o ideal seria que só existisse no país produtores de sementes e campos de plantas estabelecidos de acordo com as normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Observa-se, no entanto, que grande parte das sementes produzidas no país, ainda é realizada em desacordo com as referidas normas, e procedentes de produtores não idôneos e de campo de plantas heterogêneas estabelecidas em isolamento. Como consequência, obtêm-se sementes constituídas por uma mistura de cultivares indesejadas, resultando em plantios desuniformes em relação às diferentes características de interesses morfológico e agronômico da cultura.
Alguns produtores de coco que exploram híbridos intervarietais de coqueiro (plantas F1 do cruzamento anão x gigante) utilizam as sementes colhidas desses híbridos (sementes F2), para produzir e comercializar mudas. Entretanto, não se recomenda plantar mudas oriundas de material F2, tendo em vista a segregação genética da semente, o que pode gerar plantios muito desuniformes em relação as características morfológicas e agronômicas de importância na exploração do coqueiro, causando grandes prejuízos aos produtores.

Produção de sementes de cultivares de coqueiro

No processo de produção de sementes registradas e certificadas de cultivares de coqueiro, é necessário o registro do produtor e do campo de plantas, como também de um agrônomo responsável pelo acompanhamento da produção de sementes, de acordo com as normas do Mapa.
O campo de plantas para produção de sementes deve ser estabelecido com cultivares homogêneas, de produção estável, de origem comprovada oficialmente e isolados de qualquer plantio de coqueiro. Considera-se como homogêneo, um campo de plantas onde 100% das plantas sejam da mesma cultivar, possibilitando assim, que as sementes produzidas representem geneticamente essa cultivar. O isolamento tem o objetivo de impedir que ocorra contaminação por pólen estranho a partir de plantios vizinhos -, evitando assim, que ocorra a produção de sementes de cultivares indesejadas.

Campo de plantas para produção de sementes de coqueiro-anão

Para produção de sementes de coqueiro-anão, considerando-se que as inflorescências abrem-se e liberam o pólen naturalmente, é importante que o campo de plantas seja estabelecido por apenas uma das cultivares, amarela, verde ou vermelha, com isolamento físico de 500 m, tanto entre si, quanto em relação a qualquer outro plantio de coqueiro. Este isolamento, no entanto, pode ser menor, variando de 200 m ou 300 m, quando ocorrem barreiras naturais (serra, vegetação nativa etc.) ou artificiais (pomares com outras frutíferas, plantio de eucalipto, entre outros).

Campo de produção de sementes de coqueiro-gigante

A demanda de sementes do coqueiro-gigante no Brasil é insignificante e basicamente restrita aos pequenos produtores de coco, pelo fato de ser uma variedade mais tolerante a condições adversas de clima e solo. Comparativamente às outras cultivares de coqueiro, é uma variedade tardia e de baixa produção de frutos. Atualmente, são poucos os plantios legítimos com essa variedade no Brasil, que correspondem, a algumas populações homogêneas e isoladas, prospectadas pela Embrapa. Por ser uma variedade de reprodução cruzada, o isolamento ideal para implantação do campo de plantas é de 1.000 m, podendo ser de 500 m, desde que ocorram barreiras naturais ou artificiais.

Campo de produção de sementes de híbridos intervarietais

As sementes dos híbridos intervarietais são produzidas, empregando-se normalmente o coqueiro-anão como parental feminino, por apresentar porte baixo; crescimento lento; florescimento precoce; inflorescência menor; maior número de emissão de inflorescência por ano e consequentemente menor intervalo entre emissões de inflorescências; maior número de flores femininas/inflorescência; maior produção de sementes/planta; e, maior densidade de plantio (205 plantas/ha). Nesse processo, como a abertura das inflorescências do coqueiro-anão é feita de forma forçada e controlada, o isolamento físico ideal para o campo de plantas de sementes híbridas comerciais é de 1.000 m, podendo ser de 500 m, desde que ocorram barreiras naturais ou artificiais.

Métodos de produção de sementes híbridas

Método natural ou dirigido
O campo de plantas é estabelecido intercalando-se duas ou três linhas do coqueiro-anão (parental feminino) com uma linha do coqueiro-gigante (parental masculino), ambos no espaçamento indicado para o coqueiro-gigante. As linhas correspondentes ao parental feminino podem ser implantadas com a mesma cultivar de coqueiro-anão ou cada uma delas com uma cultivar diferente. Com esse método, só há necessidade de emascular as inflorescências do coqueiro-anão - após a sua abertura forçada, três a quatro dias antes de sua abertura natural.
O pólen para os cruzamentos é proveniente do coqueiro gigante plantado intercalado. Este é um método considerado simples, uma vez que exige apenas a emasculação das plantas-mães, não necessitando de coleta e aplicação de pólen. Além disso, requer menos mão de obra e não apresenta exigência de montagem de um laboratório de pólen, aproximando-se bastante do processo natural de polinização. Esse método apresenta como desvantagem a limitação do processo de hibridação, uma vez que só permite a produção de sementes do(s) mesmo(s) híbrido(s) de acordo com o número de cultivares de coqueiro-anão plantados intercalados ao gigante.
Método controlado sem proteção da inflorescência
Por esse método, ao contrário do anterior, o campo de plantas é estabelecido apenas com o coqueiro-anão, no espaçamento de 7,5 x 7,5 x 7,5 m em triângulo equilátero. Esse método é composto pelos processos de coleta de pólen do parental masculino, tratamento, armazenamento e avaliação da viabilidade desse pólen, emasculação da inflorescência - após a sua abertura forçada três a quatro dias antes da abertura natural – e aplicação do pólen durante a fase de receptividade das flores femininas da inflorescência. Consequentemente, esse método é bem mais complexo, por ser constituído de várias atividades distintas durante a hibridação, exigir mais mão de obra em quantidade e qualidade para essas atividades e necessitar de infraestrutura de laboratório para os trabalhos com o manuseio e tratamento do pólen. Por ocorrer interferência do homem nas diferentes fases reprodutivas das inflorescências do coqueiro-anão, a produção de sementes híbridas por planta é menor - quando comparado a do método anterior -, mas, a produtividade é superior, devido a maior densidade de plantio do coqueiro-anão. É conveniente salientar ainda, que ao contrário do método anterior, esse é um processo bastante flexível no tocante ao número de híbridos que podem ser obtidos por planta, isto é, em uma mesma planta, pode-se obter um híbrido diferente por inflorescência emitida.
Método controlado com proteção da inflorescência
É um método praticamente igual ao anterior em termos das etapas de hibridação. A única diferença, é que o campo de plantas não é isolado no espaço físico de qualquer plantio de coqueiro e, dessa forma, no processo de hibridação para produzir sementes registradas e certificadas de coqueiro, o isolamento das inflorescências é feito de forma mecânica, com saco de lona (saco com 0,60 m de largura por 0,80 m de comprimento, dotado na parte mediana de janela de plástico). Em função dessa proteção, no interior do saco há a formação de microclima com alta umidade e temperatura, consequentemente, a produção de sementes/cacho é baixa (duas sementes/cacho). Portanto, é um método indicado apenas para produção de sementes de híbridos experimentais.





sábado, 20 de maio de 2017

Cultivares de Coqueiro


Cultivares de coqueiro

O gênero Cocos é constituído apenas pela espécie Cocos nucifera L., a qual é composta de algumas variedades, entre as quais, as mais importantes são Typica (coqueiro-gigante) e Nana (coqueiro-anão). Os híbridos de coqueiro mais utilizados são resultantes dos cruzamentos entre essas variedades (híbrido intervarietal).
No Brasil, existe uma área plantada de 257.157 ha, com produção superior a 2.820.468 toneladas de frutos por ano, se constituindo na quarta produção mundial, depois da Indonésia, Filipinas e Índia, com produções de frutos (toneladas/ano) de 18.300.000, 15.353.200 e 11.930.000, respectivamente (FAOSTAT, 2014). Segundo o Sindicato Nacional dos Produtores de Coco (Sindcoco), em torno de 70%, 20% e 10% dos plantios de coqueiro no país, são formados pelas cultivares gigante, anão e híbrido intervarital, respectivamente. Entretanto, as principais demandas de sementes para implantação de áreas com coqueiro, são do anão verde para água de coco e do híbrido intervarietal anão x gigante. Esta cultivar é considerada de múltiplo uso in natura e agroindustrial, principalmente, na produção de fibra, copra (albúmen sólido desidratado a 6% de umidade), óleo, ácido láurico, entre outros produtos e subprodutos do coco.
O coqueiro-gigante é ainda bastante explorado, principalmente pelos pequenos produtores de coco. É uma variedade rústica, mais adaptada que outras cultivares de coqueiro às condições de estresses bióticos e abióticos. De crescimento rápido e longa fase vegetativa, inicia o florescimento entre 5 e 7 anos em condições ecológicas ideais de exploração e atinge, na idade adulta, entre 20 m a 30 m de altura. Essa variedade pode produzir de 60 a 80 frutos/planta/ano, de tamanho variando de médio a grande, cuja colheita do coco seco, ocorre entre 11-12 meses após os fenômenos reprodutivos.  A sua vida útil econômica é de 60 a 70 anos. No Brasil, é muito empregado, in natura para uso culinário (na produção de doces, bolos etc.), bem como na agroindústria de alimentos para leite de coco, farinha de coco, entre outros. A copra (albumen sólido desidratado a 6% de umidade) do fruto do coqueiro-gigante é rica em óleo, como os teores entre 68% e 70% determinados por Passos e Cardoso (2012), na do gigante-do-Brasil-da-Praia-do-Forte (GBrPF). A água de coco dessa variedade é pouco demanda para consumo in natura, devido a apresentar, em geral, um baixo valor sensorial de sabor, mas, tanto a produção (516,25 ml) segundo Passos et al., (2006) e Aragão et al., (2009) quanto o teor de potássio (353,9 mg/100 g) determinado por Chattopadhyay et al., (2013), na água dos frutos colhidos com 7 meses de idade, são bem superiores às do coqueiro-anão.
A variedade Nana (coqueiro-anão) é composta pelas cultivares amarela, verde, e vermelha. No Brasil, a principal demanda para plantio, é da cultivar verde. Essa variedade apresenta desenvolvimento vegetativo lento, estipe praticamente cilíndrico, folhas numerosas, porém curtas (4 m a 5 m de comprimento), atingindo na idade adulta 10 m a 12m de altura. É uma variedade precoce, cujo florescimento ocorre, em média, de 2,5 a 2,9 meses, significando que a produção e as primeiras colheitas de frutos para água de coco, ocorrem nas plantas com idade de 3 anos a 3 anos e 4 meses (ARAGÃO et al., 2004). Produz de 150 a 200 frutos/planta/ano de tamanho pequeno, e a planta tem vida útil em torno de 30 a 40 anos. É menos tolerante ao ataque de pragas, como ácaro, doenças foliares, anel vermelho, entre outras, sendo mais exigente ao clima e solo do que o coqueiro-gigante.
O coqueiro-anão é a variedade mais empregada no Brasil para usos in natura e industrial da água de coco, inclusive, com qualidade sensorial superior às demais cultivares. As maiores produções médias de água de coco (média de 6 anões avaliados na Baixada Litorânea e nos Tabuleiros Costeiros), ocorrem entre os meses 6 (347,99 ml) e 7 (331,73 ml), após os fenômenos reprodutivos. As composições químicas médias (média dos meses 6 e 7) da água do anão-verde-do-Brasil-de-Jiqui (AVeBrJ), anão-amarelo-do-brasil-de-gramame (AABrG) e anão-vermelho-de-camarões (AVC), são respectivamente, as seguintes: pH – 5,17, 5,22 e 5,24; ºBrix – 5,95, 6,4 e 6,1; teor de glicose  (g/100 g) – 3,17, 1,98 e 2,21; teor de frutose (g/100 g) – 3,15, 2,37 e 2,49; e teor de sacarose (g/100 g) – 0,40; 0,67 e 0,65. Observa-se que, independentemente da cultivar de anão, o pH da água é sempre ácido, e o teor de sacarose baixo, enquanto o ºBrix é relativamente maior no AABrG e os teores de açucares redutores glicose e frutose, maiores, principalmente no AVeBrJ. É conveniente salientar ainda, que é nesses meses de maiores produções de água que o °Brix e os teores dos açúcares redutores glicose e frutose, coincidentemente, são também maiores, e como esses constituintes são os responsáveis pela maior qualidade sensorial de sabor, significa que é nessas idades que os frutos do coqueiro-anão devem ser colhidos para consumo in natura e agroindustrial de água de coco verde (TAVARES, et al., 1988, ARAGÃO et al., 2001a, ARAGÃO et al., 2001b e ARAGÃO, 2002). Além disso, segundo esses autores, a água de coco das cultivares de anão é rica em potássio, praticamente independente da idade do fruto, variando em média de 179,2 mg/100g na água dos frutos com 6 meses de idade a 211,9 mg/100 g na água dos frutos com 10 meses de idade.
Já nas agroindústrias de alimentos, o coqueiro-anão é pouco utilizado, devido, segundo Cardoso e Passos (2010), a menor produção de albúmen sólido no AVeBrJ, anão-vermelho-da-Malásia (AVM) e principalmente no anão-amarelo-da-Malásia (AAM) e AVC. Apesar disso, os teores de óleo são relativamente altos, sendo superiores a 60%, especialmente no AVeBrJ e AVM, em torno de 60% no AVC e abaixo desse valor no AAM, sendo necessária uma quantidade de frutos para se produzir uma tonelada de óleo, da ordem de 9.400, 11.100, 11.600 e 13.800, respectivamente (CARDOSO e PASSOS, 2010). Também, os teores de ácido láurico nos anões AVC (54,2%) e (AVM (54,6%), são altos (ARAGÃO et al., 2003).
O coqueiro híbrido intervarietal anão x gigante, é uma cultivar de ampla utilidade comercial, podendo ser  empregada para produções  de água de coco e de fibras, e principalmente para produção de albúmen sólido, óleo, ácido láurico, entre outas utilidades. A grande dificuldade a curto e médio prazos, é a baixa disponibilidade de sementes híbridas no mercado, para implantação de extensas áreas com essa cultivar. Ultimamente, os híbridos mais plantados no Brasil foram os BRS 001 – AVeBrJ x GBrPF (híbrido Praia do Forte), BRS 002 – AABrG x GBrPF (híbrido Sementeira) e BRS 003 – anão-vermelho-do-brasil-de-gramame (AVBrG) x GBrPF (híbrido Miranda Júnior), que foram desenvolvidos pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, e registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Apesar desses registros, atualmente, a Embrapa só tem capacidade técnica e de infraestrutura para produzir sementes comerciais do BRS 001. Para produzir sementes dos BRS 002 e 003, essa empresa, necessariamente, tem que implantar campos de plantas com os AABrG e AVBrG, ou talvez o mais recomendado, fazer parcerias com instituições privadas que contenham campos de plantas com esses anões. A Sococo, apesar de ter também as mesmas capacidades da Embrapa para produzir sementes desses híbridos, só produz sementes para atender a sua própria demanda.
Os híbridos BRS 001, BRS 002 e BRS 003 florescem em média com 3,1 anos após o plantio definitivo, significando que as primeiras colheitas de frutos verdes para consumo de água e de frutos secos para produção de copra, ocorrem entre 3,8 a 3,9 anos e 4,0 a 4,1 anos, respectivamente (ARAGÃO et al., 2004). As produções de frutos/planta nas primeiras colheitas , foram de 105 no BRS 001 e de 110 nos BRS 002 e 003 (FERRAZ, et al., 2006). Nos frutos colhidos com 7 e 8 meses, as produções de água (ml) foram respectivamente nos BRS 001 - 487,72 e 524,85, BRS 002 - 392,75 e 493,85 e BRS 003 - 422,85 e 400,52 (ARAGÃO et al., 2009). A produtividade de albúmen sólido do BRS 001 foi de 5,58 t/ha, BRS 002 de 5,72t/ha e BRS 003 de 4,99 t/ha (FERRAZ et al., 2006).
Os híbridos apresentam na copra, altos teores de óleo e ácido láurico. Esses teores avaliados por Tavares et al., (1988) no híbrido PB 111 - AVC x GOA (66,78% e 52,9%) são maiores que os do PB 121 (65,24% e 48,4%). Também, o teor de óleo no híbrido AABrG x GOA determinado por Abreu et al., (2013), na Cohibra em Amontada/CE, foi de 66,83%, portanto, bem próximo dos teores dos dois PB’s. Passos e Cardoso (2008), comparando os teores de óleo do GBrPF (70,1%), híbrido BRS 001 – AVeBrJ x GBrPF (68,4%) e do AVeBrJ (66,2%) no platô de Neópolis/SE, determinaram que são altos e iguais pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. O número de frutos para se produzir uma tonelada de óleo no híbrido PB 121 (AAM x GOA), estimados por Sangaré e Rognon (1980), é menor que o do AVeBrJ, isto é, 8.000 frutos.

Vantagens do coqueiro híbrido em relação aos parentais anão e gigante em condições agroecológicas ideais de exploração

Maior estabilidade de produção quando submetidos a diferentes condições ambientais.
Ampla utilidade do fruto – uso in natura (culinária e água de coco) e emprego agroindustrial (alimentos, água de coco, óleo, ácido láurico, saboaria, detergentes, fibras para estofados e ração animal, entre outros).
Fruto de tamanho médio de acordo com a exigência do mercado.
Maior produtividade de copra – pode produzir em média entre 4,0 e 5,0 t/ha, enquanto o gigante entre 2,0 e 2,5 t/ha e o anão entre 3,0 e 4,0 t/ha.
Teor médio de óleo (66,01%) praticamente igual ao do gigante (67,02%) e maior que o do anão (60,0%).
Maior produtividade de óleo - pode produzir em média entre 2,6 e 3,3 t/ha, enquanto o gigante, entre 1,3 e 1,7 t/ha e o anão, entre 1,8 e 2,4 t/ha.
Teor médio de ácido láurico (50,65%) praticamente igual ao do anão (50,16%) e relativamente menor que o do gigante (52,04%).
Maior produtividade de água que o gigante – produz cerca de 10.000 a 12.000 L/ha, enquanto o gigante 5.000 a 7.000 L/ha.
Produtividade de água igual ao dos anões.
Maior estabilidade de preço no ano, devido a sua ampla utilidade comercial.

Outras vantagens do coqueiro híbrido intervarietal em relação ao coqueiro-gigante

Germinação das sementes mais rápida – germina entre 70 e 90 dias, enquanto o gigante, entre 100 e 150 dias.
Crescimento e desenvolvimento da planta mais lento.
Menor porte – atinge até 20 m.
Florescimento mais precoce – floresce em média entre 3,0 e 3,2 anos.
Maior produção de frutos por planta - produz em média entre 130 e 150 frutos.
Maior produtividade de frutos - produz em média entre 20.000 e 24.000 frutos/ha, enquanto o gigante, 8.500 a 11.500 frutos/ha.
Água mais saborosa.

Outras vantagens do coqueiro híbrido intervarietal em relação ao coqueiro-anão

Planta mais vigorosa.
Fruto maior, consequentemente, mais aceito tanto para consumo in natura quanto agroindustrial.
Maior produção de água/fruto - produz em média 500ml/fruto, enquanto o anão 300 mL/fruto.
Maior produção de polpa – produz em média 350 a 400 g/fruto, enquanto o anão nas mesmas condições apresenta em média 200 g.
Vida útil econômica - entre 50 e 60 anos, portanto, maior que a do anão.

Desvantagens do coqueiro híbrido intervarietal

Apesar de uma série de vantagens, não se recomenda colher e plantar as sementes dos híbridos F1(sementes F2), devido ao fenômeno da segregação genética. O plantio originado dessas sementes, além de apresentar uma produção média de frutos menor que a das plantas híbridas, essas plantas F2serão muito desuniformes para as diversas características de interesse agronômico e econômico, como início de florescimento, produção de frutos, porte, tolerância ou resistência a pragas e estresse ambiental, entre outras. Estes aspectos não interessam ao produtor de coco.

Tabela 1: Características físico-química de frutos de coqueiro anão no ponto ideal de colheita para uso da água de coco. Aracaju, SE, 2011.    
Características
Idade (meses)
6
7
Peso do fruto (g)
1358,9
1558,9
Volume de água (mL)
324,08
289,0
Frutose (g/100 g)
3,25
2,09
Glicose (g/100 g)
2,96
1,95
Grau Brix
6,16
6,13
Potássio (mg/100 mL)
102 a 192
143 a 191
 Fonte: Aragão (2002).

Tabela 2: Características das cultivares de coqueiro.  
Características/Cultivar
Anão
Híbrido
Gigante
Início da floração (anos)
2 a 3
3 a 4
5 a 7
Vida útil (anos)
30 a 40
50 a 60
60 a 70
Tamanho do fruto
Pequeno
Médio/Grande
Grande
Crescimento
Lento
Intermediário
Rápido
Porte (altura)
10 a 12 m
20 m
20 a 30 m
Produção (frutos/ano)
150 a 200
130 a 150
60 a 80
Peso médio de fruto
900 g
1200 g
1400 g
Peso médio de noz
550 g
800 g
700 g
Peso médio de albúmen
200 g
400 g
350 g
Exigência
Alta
Intermediária
Baixa
Destino da produção
Água
Água/Agroindústria/
Culinária
Agroindústria/
Culinária

Outras desvantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro-gigante

Planta menos rústica.
Menor produção de polpa – produz em média 350 a 400 g/fruto de polpa enquanto o coqueiro-gigante entre 400 e 500 g/fruto.
Menor produção de água – produz em média 500 mL/fruto, enquanto o coqueiro-gigante 600 mL/fruto.
Vida útil econômica entre 50 e 60 anos; portanto, menor que a do coqueiro-gigante.
Outras desvantagens do coqueiro híbrido em relação ao coqueiro-anão:
Germinação da semente mais lenta – germina entre 70 e 90 dias, enquanto o anão entre 40 e 60 dias.
Crescimento e desenvolvimento da planta mais rápido.
Maior porte – atinge 20 m de altura, enquanto o anão atinge até 12 m.
Florescimento mais tardio – floresce em média entre 3,0 e 3,2 anos, enquanto o anão floresce em média entre 2,5 e 2,9 anos.
Menor produção de frutos – produz em média entre 130 e 150 frutos/planta/ano, enquanto o anão entre 150 e 200 frutos/planta/ano.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Adubação do Coqueiro

Adubação do coqueiro

A nutrição equilibrada do coqueiro constitui-se em pré-requisito de fundamental importância para que se obtenha uma produção adequada. A determinação da necessidade de adubação e/ou de calagem do coqueiral deverá ser realizada tomando-se como base os resultados das análises do solo e foliar.

Análise de solo

Em áreas já implantadas, recomenda-se a coleta de amostras na projeção da copa das plantas, que corresponde a um raio de 2 m a partir do caule. Deve-se coletar 20 subamostras, tomadas a uma profundidade de 0 a 20 cm, para uma área homogênea de aproximadamente 10 ha. As amostras coletadas nas entrelinhas devem ser tomadas também a uma profundidade de 0 a 20 cm, e tem como objetivo avaliar a acidez do solo, para possível correção por meio da calagem. Somente em casos em que haja suspeita de acidez subsuperficial, a amostragem deverá ir até os 40 cm de profundidade.

Análise foliar

De acordo com a idade e o desenvolvimento das plantas, são coletadas as folhas nas posições 9, em plantas jovens, e 14 nas plantas adultas, visto que os padrões de comparação, chamados níveis críticos, foram desenvolvidos para estas duas posições. Deve-se sempre levar em consideração que as folhas a serem amostradas devem estar localizadas no meio da copa da planta. Em uma planta jovem com 20 folhas, a folha a ser amostrada é a 9. Pois, dividindo-se 20 por 2, encontra-se 10. E a folha 9 é a mais próxima do meio da copa (posição 10). Para encontrar a folha 9, conta-se a partir da primeira folha completamente aberta. Em plantas adultas, a identificação da folha 14 é feita caminhando-se em torno da planta visando à localização da inflorescência mais recentemente aberta, a qual está na base da folha 10, ou seja na parte da folha que se prende ao caule. A folha 9 está numa posição quase que oposta à folha 10 (formando um ângulo de 160º com esta) e é aquela que tem, em sua axila, a próxima inflorescência a abrir. A folha 14 localiza-se abaixo da folha 9 e, no cacho que está sobre ela, os frutos são do tamanho de um punho. Entretanto, o tamanho dos frutos é uma forma auxiliar de identificação, já que pode variar com a velocidade de emissão das folhas. Note-se que as inflorescências e os cachos sempre se desenvolvem de um mesmo lado da folha. Identificada a folha a ser amostrada, devem ser coletados três folíolos de cada lado da sua parte central. Somente os 10 cm centrais do folíolo serão acondicionados em sacos de papel.
As amostras devem ser coletadas em áreas homogêneas com aproximadamente 10 ha, tomando-se 25 plantas para compor uma amostra de coqueiros de origem genética desconhecida, 20 plantas para coqueiros híbridos e 15 plantas para coqueiros anões. As amostras devem ser coletadas no início do período seco, ente 7 e 11 h da manhã. Quando há ocorrência de precipitação superior a 20 mm, torna-se necessário aguardar 36 h para nova coleta de folhas.
Quando não for possível o envio das amostras no mesmo dia, elas devem ser mantidas em refrigerador com prazo máximo de 3 dias após a coleta. A identificação da amostra deverá conter nome do proprietário e da propriedade, posição da folha amostrada, idade da planta, data de coleta e localização da amostra no plantio.
A interpretação dos resultados de análise para fins de verificação do estado nutricional da planta é feita utilizando-se os níveis críticos contidos nas Tabelas 1 e 2. Valores acima dos níveis críticos indicam que a planta está suficientemente nutrida em relação ao nutriente, e que valores abaixo do nível crítico indicam deficiência.
Tabela 1. Níveis críticos de N, P, K, Mg e S na folha 9 e de N, P, K, Ca, Mg, S, Cl e Na Mn, Zn, Cu, B, e Fe na folha 14 do coqueiro-gigante e coqueiro-híbrido.

Folha 9 (planta jovem)

Folha 14 (planta adulta)

Gigante
Híbrido
Gigante
Híbrido
-----------------------------g kg-1--------------------------
N

22,0

22,0
N

22,0
P
1,3
1,3
P
1,3
K
11,5
17,0
K
11,5
Ca
3,0
3,0
Ca
3,0
Mg
2,4
2,6
Mg
2,4
S
1,3
1,3
S
1,3
Cl


Cl


-----------------------------mg kg-1--------------------------
B


B

Cu


Cu

Mn


Mn

Zn


Zn

Nota: N (Nitrogênio); P (fósforo); K (potássio); Mg (magnésio); S (enxofre); Ca (cálcio), Cl (cloro) Na(sódio); Mn (manganês), Zn (zinco), Cu (cobre), B (boro) e Fe (ferro).
Tabela 2. Níveis críticos de N, P, K, Ca, Mg, S, Cl e Na  Mn, Zn, Cu, B, e Fe  nas folhas 9 e 14 do anão verde.
Nutriente
Folha 9 (planta jovem)
Folha 14 (planta adulta)

              -----------------------------g kg-1---------------------
N
21,0
22,0
P
1,50
1,40
K
16,0
15,0
Ca
3,0
3,5
Mg
3,0
3,30
S
1,3
1,5
Cl
8,0
7,5
Na
1,5
1,3

                   ----------------------mg kg-1----------------------
B
17
20
Cu
5,0
5,0
Mn
60
65
Zn
14
15
Fe
35
40
O coqueiro, quando está sob estresse nutricional, mostra sintomas que são específicos para cada nutriente, os quais são apresentados na Tabela 3. Sempre é aconselhável a confirmação do sintoma através da analise foliar. Caso o teor na folha esteja menor que o nível crítico, é muito provável que o sintoma identificado corresponda ao nutriente.
Tabela 3. Principais sintomas de deficiência mineral, processo de aparecimento dos sintomas e forma de correção do estado nutricional em coqueiros.
Nutrientes
Sintomas
Aparecimento dos sintomas
Correção
Nitrogênio
  • amarelecimento gradual nas folhas do coqueiro.
  • diminuição do número de flores femininas.
  • em estágio avançado, há um decréscimo do número e tamanho das folhas e estreitamento do estipe, causando o que se chama “ponta-de-lápis”.
* estes sintomas têm como causas baixa pluviosidade, condições de solo desfavoráveis à mineralização do N e presença de ervas daninhas na área do plantio.
* das folhas mais velhas para as mais novas.
* adubação nitrogenada à base de ureia, sulfato de amônio e/ou adubação orgânica, ou quando for o caso, drenagem do solo e eliminação de gramíneas.
Fósforo
  • diminuição do crescimento da planta.
* folhas com coloração verde mais escura.

* adubação com superfosfato simples, em solos com teor baixo de enxofre, e com superfosfato triplo e rochas fosfatadas.
Potássio
Na folha:
  • aparecimento de manchas cor de ferrugem nos dois lados do folíolo.
  • pequeno amarelecimento dos folíolos, sendo mais intenso na extremidade, dos mesmos a qual pode tornar-se escurecida.
Na planta:
  • amarelecimento das folhas no meio da copa e posterior secagem das folhas mais velhas.
* as folhas mais novas permanecem verdes.
* das folhas mais velhas para as mais novas.
* adubação com cloreto de potássio ou outra fonte deste elemento.
Cloro
  • inicialmente os folíolos ficam amarelados e com manchas alaranjadas e, a seguir, secam nas margens e nas extremidades.
* diminuição do tamanho dos frutos.
* nas folhas mais velhas.
* adubação com cloreto de sódio, caso não se esteja adubando com cloreto de potássio.
Cálcio
  • folíolos com manchas amarelas arredondadas, tornando-se marrons no centro.
* manchas uniformemente distribuídas nos folíolos.
  • a partir da folha n4, essas manchas concentram-se nos folíolos da base da folha.
* manchas marrons também podem aparecer na base da ráquis foliar.
* primeiro aparecem nas folhas n1, 2 e 3, progredindo para as folhas mais velhas.
* aplicação de calagem e/ou gessagem para suprir a deficiência.
Magnésio
  • nas partes extremas do folíolo e expostas ao sol, o amarelecimento é mais intenso, enquanto, próximo à ráquis da folha, os folíolos permanecem verdes.
* em caso de deficiência severa, ocorre a morte do tecido nas extremidades dos folíolos, que ficam amarelo-escuros. Neste estádio, observam-se manchas que deixam passar a luz.
* nas folhas mais velhas.
* aplicação de calagem ou adubos magnesianos.
Enxofre
No coqueiro jovem
  • folhas amarelas e alaranjadas, podendo tornar-se escuras nas extremidades dos folíolos, com o agravamento da deficiência.
No coqueiro adulto
  • redução no número de folhas vivas, que amarelecem.
* tombamento das folhas mais velhas devido ao enfraquecimento da ráquis.
* nas folhas mais novas.
* adubação com fertilizantes à base de enxofre.
Boro
* folíolos apresentam-se unidos pela extremidade.
* com a progressão da deficiência, os folíolos da base das ráquis diminuem de tamanho, podendo inclusive desaparecer.
* nos casos mais graves, o ponto de crescimento deforma-se completamente, e paralisa o desenvolvimento da planta, podendo causar sua morte.
* nas folhas mais novas.
* em coqueiro jovem – aplicação de 30 g de bórax na axila da folha no4 da planta com sintomas.
* em coqueiros adultos – aplicação no solo de 50 g de bórax por planta com sintomas.
Cobre
* a ráquis da folha torna-se flácida e em seguida enverga.
* quase simultaneamente, os folíolos começam a secar as extremidades, passando do verde ao amarelo e, por fim, ao marrom – aspecto queimado.
* quando a deficiência se agrava, a planta seca completamente e as novas folhas emitidas são pequenas e amarelas.
* a deficiência é mais comum em plantas com até dois anos de idade.
* nas folhas novas.
* em solos com baixo teor de cobre no solo, deve-se aplicar na cova de plantio 20 g de sulfato de cobre misturando-se bem à terra antes de preencher a cova.
* em plantas com idade entre um e dois anos aplicar 100 g de sulfato de cobre por planta com sintomas.

Calagem

Na cultura do coqueiro, a calagem pode ser efetuada na área como um todo, localizada na projeção da copa e na cova ou sulco de plantio. Caso o alumínio (Al3+) esteja acima de 5 mmolc dm-3 de solo, a calagem deve ser efetuada na área toda, no sentido de reduzir a toxidez. Na hipótese de alumínio, cálcio e magnésio baixos, a calagem deve ser efetuada na área do círculo, que tem como centro o caule e como limite a projeção da copa. Nos dois métodos, a incorporação é importante, pois favorece as reações de dissolução do calcário. O espaço de tempo entre a calagem e a adubação, deve ser de, no mínimo, 60 dias. A aplicação de calcário na cova de plantio é recomendada para evitar que a presença do Al3+ iniba o crescimento radicular. A quantidade de calcário a ser aplicada por cova é obtida com base na dose de calcário para 1 há com 0,2m de profundidade. Por exemplo: considerando uma dose de calcário de 2000 kg ha-1 a ser aplicada em 1 ha (100mx100mx0, 2m) 2000 m-3 tem-se 1 kg de calcário por m-3. Considerando uma cova medindo 0,8m nas três dimensões, tem-se 0, 512 m-3 por cova. A quantidade de calcário será 0,512 kg que deverá ser misturado à terra que vai preencher a cova de plantio.

Adubação

Em solos onde o teor de P no solo é menor que 10 mg dm-3, é recomendável misturar com o volume de solo a ser utilizado para encher a cova de plantio, 800 g de superfosfato simples. Quando o plantio for feito em sulco, a quantidade de superfosfato simples deverá ser ajustada ao volume a ser ocupado pela muda.
A Tabela 4 contém doses de N, P2O5 e K2O recomendadas para adubação do coqueiro- gigante, em condições de sequeiro, considerando-se da implantação ao sétimo ano, fase que antecede, em média, o período de produção, podendo ser usada em solos com baixos teores de P de K ou em casos onde não tenham sido feitas análise de solo e/ou de folha. Para recomendação de adubações mais precisas, torna-se necessária a realização dessas análises. 
Tabela 4. Doses anuais de N, P2O5 e de K2O recomendadas para o coqueiro-gigante cultivado em solos com baixos teores de P e de K.
Idade da
Planta
(anos)
N
P2O5
K2O

------------g planta-1 ano-1-------------------
1
1301
-2                
1301
2
150
50
150
3
180
60
180
4
225
75
225
5
300
100
300
6
450
150
450
7
900
300
900
Nota: A adubação com nitrogênio e potássio deverá ser iniciada 30 dias após o plantio; _2800 g de superfosfato simples deverá ser utilizado como fonte de fósforo, o qual deverá ser misturado ao volume de terra que preencherá a cova de plantio.
Para o coqueiro-gigante em produção, podem-se utilizar as sugestões de adubação contidas na Tabela 5. Não se dispõe de recomendações de adubação para o coqueiro híbrido em produção. As recomendações para o coqueiro-anão poderão ser utilizadas, desde que sejam feitos os devidos ajustes para a produtividade das plantas.
Tabela 5. Sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-gigante em produção, com base em análises foliar e de solo.
   Níveis  de N, P e K na folha e no solo
Produtividade frutos planta-1 ano-1

-------------------N folha 14 (g kg-1)--------------------

< 16
16 – 17
> 17
--------------------N (g planta-1 ano-1)-------------------
20 – 40
700
500
350
40 – 60
900
700
500
> 60
1.050
900
700
--------------------P folha 14 (g kg-1)--------------------

< 1,0
1,0 – 1,2
> 1,2

P Mehlich-1 (mg dm-3)

Baixo
Médio
Alto 
-------------------P2O5 (g planta-1 ano-1)----------------
20 – 40
200
100
50
40 – 60
300
200
100
> 60
400
300
200

-------------------K folha 14 (g kg-1)--------------------
< 6,0
6,0 – 8,0
> 8,0

K Mehlich-1 (mg dm-3)

< 30
30 - 45
> 45
--------------------K2O (g planta-1 ano-1)----------------
20 – 40
600
900
300
40 – 60
900
600
600
> 60
1.200
1.500
1.200
Em plantios de sequeiro, os fertilizantes poderão ser aplicados em dose única no final do período chuvoso. Quando a fonte de N for a ureia o fertilizante deve ser incorporado para evitar perdas de nitrogênio por volatilização.
Na Tabela 6, estão as sugestões de adubação para o coqueiro-anão irrigado na fase de crescimento. Esta tabela somente deve ser utilizada em coqueiros com, no mínimo, 15 folhas o que corresponderia à Folha 9, próxima do meio de copa.
Tabela 6. Sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-anão em formação com base em análises foliar e de solo.
Idade da planta (anos)
Níveis de N, P e K na folha e no solo

N na folha 9 (g kg-1)

< 16
16 – 21
> 21

------------ N (g planta-1)--------
1 – 2
600
450
300
2 – 3
900
750
600

P na folha 9 (g kg-1)

< 1,2
1,2 – 1,5
> 1,5

P solo Mehlich-1 (mg dm-3)

Baixo
Médio
Alto

------------P2O5( g planta-1)--------
1 – 2
200
150
100
2 – 3
300
200
100

K na folha 9 (g kg-1)

< 12
12 – 16
> 16

K solo Mehlich-1 (mg dm-3)

< 30
30 – 45
> 45

------------ K2O (g planta-1)--------
0 – 1
600
400
200
1 – 2
900
700
500
2 – 3
1.200
900
600

Em plantios irrigados e que disponham de injetor de fertilizantes, tanto o N quanto o K podem ser aplicados via fertirrigação. Na utilização desta técnica, é aconselhável verificar se as doses calculadas estão efetivamente chegando às plantas, pois diferenças de pressão e eventuais resíduos oriundos da incompleta dissolução dos fertilizantes podem influenciar na distribuição correta das quantidades. Isto pode ser feito através da coleta de amostras de solução nos emissores. As amostras deverão ser coletadas depois de estabilizada a quantidade de solução que chega aos microaspersores, em recipientes previamente lavados com água desmineralizada, e enviadas ao laboratório para análise. Na tabela 7, são apresentadas sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-anão irrigado em produção.
Tabela 7. Sugestões de adubação com N, P e K para o coqueiro-anão irrigado em produção com base em análises foliar e de solo.
Produtividade (frutos planta-1 ano-1)

Níveis de N, P e K na folha e no solo

--------------------N folha 14 (g kg-1)---------------------

< 16
16 – 20
> 20

---------------------N (g planta-1 ano-1)--------------------
100 – 150
1.000
800
500
150 – 200
1.300
1.000
700
> 200
1.600
1.300
900

--------------------P folha 14 (g kg-1)---------------------

< 1,10
1,10 – 1,45
> 1,45

P Mehlich-1 (mg dm-3)

Baixo
Médio
Alto

---------------------P2O5 (g planta-1 ano-1)----------------
100 – 150
200
100
-
150 – 200
400
300
200
> 200
600
400
300

--------------------K folha 14 (g kg-1)---------------------

< 9,0
9,0 – 10,0
> 10,0

K Mehlich-1 (mg dm-3)

< 30
30 – 45
> 45

---------------------K2O (g planta-1 ano-1)----------------
100 – 150
1.200
900
600
150 – 200
1.500
1.200
900
> 200
1.800
1.500
1.200
O nível crítico e a interpretação do de P no solo nas Tabelas 5, 6 e 7 depende do teor de argila conforme é mostrado na Tabela 8, pois, o extrator Mehlich-1 é sensível ao teor de argila. Quanto maior o teor de argila,  menor é o nível crítico de P no solo.
Tabela 8. Faixas para interpretação do teor de P no solo pelo Mehlich-1 em função do teor de argila.
Argila g kg-1

Classe textural
Classes de teores de P no solo


Baixo
Médio
Adequado


------------------------mg dm-3--------------------------
<150 b="">
Arenosa
0- 10
10,1 – 20
>20
150- 350
Média
0 - 7
7,1 - 15
>15
>350 - <600 b="">
Argilosa
0 - 4
4,1 - 8
>8
Quando o nível de cálcio na folha 14 for menor que 3,0 g kg-1 e o de magnésio (Mg) menor que 2,0  g kg-1, recomenda-se checar os resultados da análise de solo para necessidade de calagem. Havendo necessidade, o cálcio e o magnésio poderão ser supridos através de calcário dolomítico, embora este seja de solubilização lenta. Não havendo necessidade de calagem, o cálcio pode ser fornecido via sulfato de cálcio (gesso) através de aplicação localizada em doses de até 5 kg planta-1 em solos com teor de argila menor que 20%. O Mg poderá ser fornecido via óxido de magnésio (MgO) ou sulfato de magnésio. Na tabela 9 estão sugestões de adubação com Mg com base na análise foliar.
Tabela 9. Sugestões de adubação com o Mg com base na análise da folha.
Quando o enxofre (S) na folha estiver abaixo de 1,5 g kg-1 e as fontes de N, P e K não contiverem S, aplicar 100 g de S elementar por planta.
Quanto aos micronutrientes boros (B), cobre (Cu), manganês (Mn) e zinco (Zn), sugestões de adubação com base em análises de solo e folha são apresentadas na Tabela 10.
Tabela 10. Sugestões de adubação com micronutrientes B, Cu, Mn e Zn com base nas análises foliar e de solo.
Nutriente/método de Análise
Teor no solo mg dm-3
 Teor na folha  mg kg-1
Fertilizante g planta-1
9
14
B (Água quente)


0 a 0,6
<17 b="">
<20 b="">
Bórax   50
>0,6
> ou =17
> ou =20
-
Cu (Mehlich-1)


0 a 0,9
<5 b="">
<5 b="">
Sulfato de cobre 100
>0,9
> ou =5
> ou =5
-
Mn (Mehlich-1)


0 a 9
<60 b="">
<65 b="">
Sulfato de Manganês 100
>9
> ou =60
> ou =65
-
Zn (Mehlich-1)


0 a 1,8
<14 b="">
<15 b="">
Sulfato de Zinco 120
>1,8
  > ou =14
> ou =15
-
A verificação da rentabilidade da adubação do coqueiro pode ser feita de maneira prática, considerando-se a quantidade de frutos necessários para cobrir os custos com os fertilizantes. A relação preço do coco/preço do fertilizante tem forte influência na rentabilidade da fertilização; pois, quando esta é favorável, um menor número de frutos é necessário para cobrir os custos do fertilizante. Entretanto, quando o preço do coco está baixo ou o preço dos fertilizantes está alto, a citada relação torna-se desfavorável ao produtor. Assim, é necessário um maior número de frutos, para cobrir os custos da adubação, diminuindo a rentabilidade. O produtor deve sempre lembrar que os efeitos diretos do fertilizante no aumento de produção do coqueiro somente ocorrem dois anos após a adubação. Como consequência deste fato, os financiamentos de custeio para a cultura do coqueiro deveriam ter prazo mínimo de dois anos.